Governador Alckmin convida Eduardo Paes para voltar ao PSDB

De saída do PMDB e com um pé no PP, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, pré-candidato a governador, foi convidado pelo presidente do PSDB e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a voltar para o partido. Ele pediu uma semana para dar uma resposta.

Os dois se reuniram na tarde de anteontem, por cerca de duas horas, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A eventual filiação de Paes ao PSDB daria um palanque forte no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país, para Alckmin, que é pré-candidato à Presidência da República.

— Ele insistiu muito para que o Eduardo retornasse ao PSDB. Isso deu uma balançada no Eduardo, que pediu uma semana para avaliar — disse um aliado de Paes.

O ex-prefeito foi filiado ao PSDB de 2003 a 2007, período em que chegou a ser secretário-geral e candidato a governador. Na época deputado federal, ele foi dos mais aguerridos opositores do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Paes foi para o PMDB, partido da base de Lula, em 2007, a convite do então governador do Rio Sérgio Cabral. Na ocasião, escreveu uma carta para Marisa Letícia, esposa do petista, já falecida, pedindo desculpa por ter atacado um de seus filhos na CPI dos Correios.

Paes já comunicou aos dirigentes do PMDB que deixará o partido e deve pedir formalmente sua desfiliação até amanhã.

Ontem, o ex-prefeito se reuniu com o presidente estadual do PP, o vice-governador Francisco Dornelles. As negociações com o partido estão avançadas, mas esbarram em alguns entraves. O ex-prefeito queria, por exemplo, assumir o comando do diretório estadual, o que não foi aceito.

— Não é nem que ele queira entrar e já sentar na janela. Ele queria assumir era o volante — ironizou um integrante do PP.

Também há resistência no partido à entrada de alguns deputados que viriam com Paes, como Soraya Santos (PMDB-RJ). A disputa é por controle de diretórios municipais, áreas de votação e distribuição dos fundos eleitoral e partidário.

Paes tenta se descolar do desgaste do PMDB no estado, que está com sua cúpula presa e patina com a administração de Luiz Fernando Pezão.

O ex-prefeito mantém o plano de ser candidato mesmo com a confirmação, anteontem, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio, de sua condenação por abuso de poder político e econômico, nas eleições de 2016, e a consequente inelegibilidade por oito anos. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

 

A ação foi proposta pela coligação "Mudar é possível", cujo candidato a prefeito do Rio em 2016 foi o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Ele acusou Paes de usar a prefeitura para contratar, por R$ 7 milhões, uma empresa para elaborar o plano de governo do candidato do PMDB à sua sucessão, Pedro Paulo.

 

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