Rodrigo Maia lança no Rio observatório da intervenção

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lançou oficialmente no último fim de semana o Observatório Legislativo, um grupo formado por servidores que vai fiscalizar a intervenção federal na Segurança Pública do Rio. Durante a cerimônia, que aconteceu num hotel na Praia do Flamengo, na Zona Sul do Rio, ele explicou que o objetivo do grupo é coletar e analisar dados referentes à intervenção, realizar estudos, acompanhar indicadores e garantir a transparência das ações. Não havia nenhum representante da segurança pública do Rio no evento.

 

- A gente vive um momento muito difícil para o nosso estado, para nossas cidades. Intervenção não é uma coisa simples e a nossa intenção nesta primeira reunião e depois, no lançamento do observatório, não é uma reunião partidária, ideológica. Nenhum de nós está preocupado com eleição num momento em que nosso estado vive talvez o momento mais difícil desde a redemocratização - disse Maia, que negou que o lançamento do grupo tenha cunho eleitoral.

Maia, que na quinta-feira havia afirmado em seu Facebook que além de garantir a transparência do processo de intervenção, o observatório também irá gerar dados para ajudar a entender a origem da violência e da evasão escolar no Rio, voltou a falar sobre a importância de focar na educação.

"A longo prazo, é preciso também entender quais os motivos que geram a violência, qual o impacto da evasão escolar e da falta de perspectiva de futuro na juventude do nosso estado", escreveu o deputado.

Ele disse ainda que o objetivo do observatório não é se opor ao governo federal, mas fazer a fiscalização do trabalho e, com isso, ajudá-lo.

- Na hora que esse planejamento for apresentado nossa função será fiscalizá-lo. Esperamos que ele seja posto logo em prática. Não podemos ficar nesse limbo, em que existe uma intervenção, mas não uma execução. Temos que tirar o Rio desta situação que, além de grave, é muito constrangedora. A porta de entrada do Brasil para o mundo está sob intervenção.

Durante o evento, deputados que estavam presentes comentaram sobre o 'fichamento' de moradores da Vila Kennedy, na sexta-feira, durante ação militar na comunidade da Zona Oeste. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) disse ter ficado assustada com as imagens:

- Muito me assustou ver as mochilas sendo revistadas, ontem. Essas pessoas não são potencialmente perigosas. Não se fez isso em portarias de prédios de luxo - criticou a deputada, que pediu ainda a transparência das operações realizadas pela GLO no Rio.

Jandira disse ainda que o observatório fará uma fiscalização da intervenção, e não uma parceria.

 

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) também criticou a ação dos militares na Vila Keneddy, e chamou a intervenção de "militar".

 

- A foto do Exército revirando mochilas é chocante. Não é pra isso que ele foi concebido. Não para oprimir a população, sobretudo o povo pobre. Esta intervenção é militar, o decreto diz isso de forma clara. Com gritantes questões inconstitucionais - afirmou o deputado, que continuou:

 

- As polícias do Rio de Janeiro ficam desmoralizadas diante dessa intervenção. A nossa polícia não pode ser a que mais mata e a que mais morre.

 

Os integrantes do observatório serão nomeados por atos do presidente da Câmara e coordenados por servidores da Casa. O fórum vai funcionar entre os dias 1º de março e 31 de janeiro de 2019. O trabalho será realizado em parceria com instituições públicas, representantes da sociedade civil e o interventor do Rio, general Walter Souza Braga Netto.

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