16/02/2019 16:03

Bancada do PSF racha e deputado já faz críticas a Witzel

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Em meio à montagem de seu secretariado, o governador eleito Wilson Witzel (PSC) já enfrenta uma crise na própria base. O PSL do futuro presidente da República, Jair Bolsonaro, partido que, em tese, será seu principal aliado na próxima legislatura da Assembleia Legislativa (Alerj), com 13 integrantes, rachou. O deputado estadual eleito Renato Zaca publicou, em grupos de WhatsApp, pesadas críticas ao ex-juiz federal. “Se ele ( Witzel ) acha que vai ter sempre as portas abertas com o PSL, vou dizer pelo meu gabinete, está muito enganado. (...) Vim candidato na expectativa de uma nova era na política, onde leis são elaboradas para melhorar a vida da população, e não para negociar interesses próprios usando a máquina”. A informação é de Paulo Cappelli e Luis Ernesto Magalhães, de O Globo.

Em outro trecho, Zaca afirmou que “parece que ele ( Witzel ) não está interessado em ouvir toda a bancada do PSL. O que me causa um misto de surpresa e decepção é que o PSL andou junto com o sr. governador eleito”, escreveu Zaca. No texto, o deputado eleito, que é policial militar, cita a escolha de Witzel para o Comando Geral da PM e, sem criticar a opção pelo coronel Rogério Figueiredo, afirmou que o futuro governador poderia ter ouvido “quem está afeito à área”.
Segundo a dissidência do PSL, Witzel estaria consultando apenas parte do partido na montagem do secretariado, o que teria irritado os que se sentem “relegados”. Os deputados eleitos Rodrigo Amorim e Alexandre Knoploch, fiéis a Witzel, são apontados pelos insatisfeitos como responsáveis pela indicação do marqueteiro da campanha, Gutemberg de Paula Fonseca, para a Secretaria de Governo. A dupla nega.
— Gutemberg conquistou a confiança do Wilson por mérito, pelos serviços prestados na eleição — disse Amorim.
Cotado para líder do PSL na Alerj, Alexandre Knoploch foi econômico ao responder às críticas de Zaca:
— Respeito todas as opiniões dos deputados do PSL.
Witzel, por sua vez, preferiu não comentar o assunto, alegando se tratar de questões internas do partido.
Aliados também reclamam que Witzel não tem ouvido seu vice, Cláudio Castro (PSC), sobre decisões estratégicas. O governador eleito garantiu, porém, que o vice tem todo o seu apoio. Ontem, Castro admitiu que nem sempre é consultado, mas minimizou:

— Não tem bicho de sete cabeças. Tudo dentro da normalidade de um governo que está se estruturando.
Ontem, Witzel passou o dia em Brasília, onde se encontrou com outros governadores eleitos, e negou ter dificuldades para montar seu secretariado. Ele convidou três pessoas para a Fazenda, mas todas recusaram.

— Nenhuma ( dificuldade ). Só estou selecionando com cuidado. O secretário da Fazenda tem de conhecer o Estado do Rio de Janeiro e aderir às minhas ideias — disse Witzel, acrescentando que ainda vai anunciar mulheres para sua equipe.

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