19/09/2019 16:20

POLÍTICOS DO RIO IMPÕEM DERROTA A CID GOMES: ESTADO RECEBERÁ R$ 2,5 BILHÕES EM LEILÃO DO PRÉ-SAL

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RICARDO BRUNO



Em tempos de crise e descrédito, fez-se lugar comum do conceito abstrato e incerto de que os políticos não tem serventia. Na visão caolha de alguns, especialmente dos operadores da Lava Jato em Curitiba, os representantes do povo seriam trastes a malbaratar o patrimônio público em favor de interesses escusos. A vida real é outra. Hoje, os políticos do Rio deram um exemplo de altruísmo e compromisso público. Derrotaram a proposta do senador Cid Gomes (PDT) que retiraria do estado do Rio, maior produtor de petróleo nacional, um enorme naco do bolo a ser arrecadado com a cessão onerosa de novos campos do pré-sal, num mega leilão previsto para novembro.

Denunciada por este blog, a manobra do esbulhador cearense iria destinar ao Rio apenas R$ 326 milhões, a despeito de as áreas leiloadas ficarem na costa fluminense. Pela visão estreita do relator, isto seria irrelevante, razão pela qual a Bahia, a 1,5 km de distância, ficaria com cerca de R$ 900 milhões. A vitória do Rio deve ser credita à sua classe política, à articulação bem sucedida do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com os senadores Flávio Bolsonaro, Arolde de Oliveira e Romário e com a bancada na Câmara Federal. Juntos, os três senadores apresentaram emenda corrigindo a proposição original com a inclusão de uma cláusula destinando 3% do valor arrecadado ao Estado em cujas águas territoriais estejam os poços leiloados. Assim, o Rio receberá R$ 2,5 bilhões. Ou seja: 650% a mais do que a proposta inicial.E os municípios fluminenses fronteiriços á área produtora, mais R$ 332 milhões.

Com todo respeito aos nordestinos, a lógica do Fundo de Participação dos Munícipios não pode ser replicada em outras questões, pois não constitui mais um eficaz instrumento de reequilíbrio do pacto federativo. Há regiões do noroeste fluminense, ou até mesmo da Baixada, com IDH inferior ao dos grotões do Nordeste.

A rápida e bem sucedida articulação dos políticos fluminenses é um exemplo de que, a despeito das diferenças ideológicas e partidárias, é necessário um mínimo de entendimento para que o bom senso e o interesse público prevaleçam. Hoje, o antagonismo exacerbado foi substituído pela razão, fundada na defesa do interesse coletivo da sociedade fluminense com critérios lógicos e objetivos. Venceu o Rio.

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