22/10/2019 23:01

Símbolo do governo Garotinho, cinco restaurantes populares estão fechados apesar da crise

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Implantados pelo ex-governadores Garotinho e Rosinha, os restaurantes populares são símbolo de um tempo em que o foco da administração pública era a garantia dos direitos sociais do cidadão. Hoje, 17 anos após o inicio do projeto, poucos estão em operação. Dos oito restaurantes populares do Rio, apenas três seguem em funcionamento desde que o governo do estado, endividado, decidiu transferir a administração deles. Os três em operação atualmente na capital devem-se à decisão do prefeito Marcelo Crivella de reabri-los durante o período em que a deputada Clarissa Garotinho, fez parte do secretariado municipal. Já faz mais de três anos que os cinco restaurantes foram fechados, privando milhares de pessoas de ter acesso a uma refeição com qualidade e de baixo custo – muitas vezes, a única que tinham por dia.

Ao todo, são 17 restaurantes populares em todo o estado, oito deles na capital. Os três que ainda funcionam na cidade são os de Bangu, Campo Grande e Bonsucesso.

Segundo a prefeitura, eles funcionam de segunda a sexta-feira para café da manhã, das 6h às 9h, e para almoço das 10h às 15h. O café da manhã custa R$ 0,50 e inclui café, leite, pão e fruta. Já o almoço custa R$ 2 e inclui arroz, feijão, carne, salada, sobremesa e uma bebida.

“Eu trabalho de camelô, não tinha condições de pagar 10, 15 reais para comer numa pensão, aí eu ficava comendo aqui, só que acabou, e às vezes eu nem como. Então, eu deixo de comer, faço só um lanche”, desabafou um antigo usuário dos restaurantes populares.
O governo do rio disse que os restaurantes sob responsabilidade do estado tão fechados por causa de um decreto estadual que determinou que fossem feitas as gestões compartilhadas com os municípios. Com isso, todos os custos de execução deveriam ser transferidos para as cidades.


Os restaurantes fecharam porque o governo do estado ficou devendo a fornecedores que prestavam os serviços. A Secretaria de Fazenda diz que a dívida é de R$ 1,7 milhão e está inscrita nos restos a pagar de 2016 - ou seja, uma dívida desse período que ainda vai precisar ser paga, em algum momento.

Dentre os cinco que estão fechados, ao menos dois estão em situação de completo abandono. O de Madureira é um deles, conforme o RJTV já havia mostrado em março deste ano. No começo de 2018, a Riourbe abriu licitação para reformar o espaço. O edital dizia que as obras ficariam prontas em cinco meses - ou seja, em junho. Mais de um ano depois, a situação continua a mesma.

“Tacaram fogo nisso aqui, os próprios cracudos roubaram tudo, só que, até hoje, a prefeitura ainda não veio, não fez uma reforma nisso aqui”, contou um morador da região.

“Eu ia aí direto (...) a comida era boa”, lamentou um antigo frequentador.

Outro restaurante popular em completo abandono é o que funcionava próximo da Central do Brasil. Ele está trancado, todo pichado, com o toldo rasgado.

Em maio deste ano, a prefeitura prometeu reabrir o restaurante popular da Central. Não deu prazo e, até a segunda semana de agosto, não tem nem sinal de que será reaberto. A rua Senador Pompeu, que costumava ter filas enormes para o restaurante, virou só lugar de passagem.

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