19/04/2019 15:16

BILHETES MOSTRAM PAULO MELO DESTRUINDO PROVAS

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Bilhetes apreendidos pela Polícia Federal indicam que o deputado afastado Paulo Melo, do MDB, mandava assessores destruírem provas contra ele e outros envolvidos no esquema desviou milhões dos cofres públicos.As anotações foram encontradas na casa de uma assessora de Paulo Melo. Nos bilhetes, tinha uma lista de coisas a fazer, uma espécie de "manual de como apagar vestígios de corrupção".
As instruções passadas pelo deputado à secretária incluiam: achar um arquivo de senhas no pen drive, cancelar contas de redes sociais e excluir e-mails.
Ao que tudo indica, as recomendações foram escritas pelo próprio Paulo Melo, preso desde o ano passado na Operação Cadeia Velha. Segundo os investigadores, prova de que mesmo preso há mais de um ano, ele continua orietando seus assessores de dentro do presídio.
De acordo com o MPF, Paulo Melo alerta as pessoas encarregadas de dar um sumiço em documentos - e que "outras operações vão surgir com a continuação das investigações das empresas citadas".Ele também recomendou que os bilhetes fossem digitalizados e jogados fora em seguida."Digitar esse papel, não circula com isso com minha letra, não!", dizia o recado. Mas a ordem não fui cumprida e os bilhetes foram encontrados.

A assesora Andreia Cardoso do Nascimento e o irmão dela, Fabio Cardoso do Nascimento, também assessor de Paulo Melo, tiveram a prisão preventiva decretada nesta segunda-feira (12). Eles se apresentaram na tarde desta terça-feira (13) na Polícia Federal.


Os bilhetes foram algumas das poucas evidências encontradas pela PF na Operação Furna da Onça, na quinta-feira (8). O Ministério Público Federal suspeita que a operaçao tenha vazado e que os alvos já sabiam que iam receber a visita da policia.

Indícios de que a operação teria sido vazada
No dia da prisão do Coronel Jairo, deputado do Solidariedade, a polícia encontrou na casa dele um único computador com todos os arquivos e históricos de navegação apagados. Os investigadores também descobriram que o deputado e a filha dele teriam saído dos grupos de Whatsapp no dia anterior à operação.

Coronel Jairo não foi levado para o presídio. Ele tinha se internado num hospital alegando problemas cardíacos, horas antes de a Polícia Federal bater na porta dele.

Outro indício de que os alvos sabiam da operação foi a prisão do secretário estadual de governo, Affonso Monerat. De acordo com os investigadores, o secretário recebeu a equipe policial às 6h manhã vestido socialmente e com o seu diploma de formação acadêmica devidamente separado.
Na casa dele, não foram encontrados computadores nem documentos, e a maioria das conversas pelo Whatsapp também teriam sido apagadas, restando poucos diáologos. Os policiais também não encontraram computadores nem nas casas e nem do gabiente do deputado Marcos Vinicius Ferreira, o Neskau.
Os parlamentares são suspeitos de receber mesada do governo e cargos no Detran em troca de apoio político. Na segunda-feira (12), os deputados Andre Corrêa, do DEM, Chiquinho da Mangueira, do PSC, Coronel Jairo, Solidariedade, Luiz Martins, PDT, Marcos Abrahão, Avante, Marcos Vinicius Ferreira Neskau, PTB, e o secretário de governo Affonso Monerat tiveram a prisão temporária convertida em preventiva, sem prazo pra sair da cadeia.
Esquema de corrupção
Novos trechos de gravações feitas com autorização da Justiça mostram que a quadrilha do legislativo se preparava pra manter o esquema de corrupção, independentemente do resultado das eleições.

Numa ligação feita depois das eleições, o deputado Marcos Abrahão conversa com a esposa sobre uma das promessas do governador Wilson Witzel: a de acabar com as vistorias do Detran. Na gravação, Abrahão faz graça e dá a entender que mesmo com a mudança, ainda dava para tirar vantagens do Detran.
A assessoria do deputado Paulo Melo disse que não vai se pronunciar sobre o caso. A defesa do deputado Marcus Vinicius nega as acusações e diz que seu cliente tem colaborado com as investigações. A assessoria de Marcos Abrahão não foi encontrada.

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