17/07/2019 11:55

Dissolução do diretório do PSDB no Rio abre crise. "'VAMOS RESISTIR", AFIRMA LUIZ PAULO

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A decisão do governador de São Paulo, João Dória, de entregar o comando do PSDB do Rio ao empresário Paulo Marinho já deflagrou uma crise no partido. Filiado há 26 anos na legenda e com cinco mandatos, o deputado estadual Luiz Paulo da Rocha anunciou hoje a formação de um núcleo de resistência às mudanças determinadas pelo direção nacional. Na última quinta-feira, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, comunicou aos dirigentes fluminenses a decisão de dissolver o Diretório Regional para entregar o comando a Paulo Marinho. Eleito há um mês, o diretório atual é presidido pelo prefeito de Mesquita, Jorge Miranda.

- Nosso diretório foi eleito democraticamente, com a participação de todos os militantes. Não podemos aceitar esta intervenção autoritária no partido. Resisti à ditadura, resisti a arbitrariedades bem maiores e vou resistir a esta também – anunciou.

Luiz Paulo fez profissão de fé num PSDB de centro esquerda, razão pela qual discorda da guinada ideológica formulada por João Dória. Para ele, passar o comando do PSDB a Paulo Marinho e Gustavo Bebiano seria entregar a legenda a forças auxiliares de Jair Bolsonaro.

- De onde vieram Paulo Marinho e Bebiano? - pergunta, para em seguida reafirmar o desejo de resistir às mudanças dentro do partido.

O deputado admite que o PSDB do Riio tem assistido minguar sua força eleitoral ano a ano. Mas se exime de responsabilidade, lembrando que a legenda nos últimos tempos foi dirigida pelo ex-deputado Otávio Leite e pelo vereador de Niterói Bruno Lessa.


- Eles são os responsáveis pelo partido. Mas na verdade a única sigla que cresce historicamente no Rio é o PG, partido do governo. Fora disto, ninguém avança – comenta.

Convidado, Luiz Paulo não compareceu ao jantar de ontem. A ausência foi sua primeira manifestação pública de desacordo com os novos rumos do partido. A deputada Lucinha, com base na Zona Oeste, também não compareceu. Segundo Luiz Paulo, a razão é a mesma: por desaprovar a intervenção do diretório nacional.

Cético, o parlamentar não vê ganhos com a mudança e afirma que foi Bolsonaro quem deu carona a Dória em São Paulo. E não o contrário. Portanto, a força eleitoral não advêm dos aliados do presidente, hoje aninhados entre os tucanos.

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