22/10/2019 23:02

Dória dá a Paulo Marinho a tarefa de reconstruir o PSDB no Rio

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Em jantar ontem em sua residência no Jardim Botânico, o empresário Paulo Marinho recebeu do governador de São Paulo, João Dória, a tarefa de reconstruir o PSDB no Rio, onde historicamente os tucanos são frágeis eleitoralmente. Nem mesmo durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB fluminense exibiu algum vigor. A única exceção foi durante a gestão de Marcelo Alencar no Governo do Estado, quando poder e cargos em fartura na estrutura administrativa fizeram robustecer a plumagem tucana no estado.

Sem cargos e longe do poder, o partido se desidratou. Hoje, o PSDB não tem sequer representante na bancada federal do Rio. E conta com apenas três vereadores na capital e dois deputados estaduais. Há mais de uma década o PSDB no Rio é controlado pelo ex-deputado Otávio Leite em parceria com o deputado estadual Luís Paulo da Rocha. Como não há resultados eleitorais razoáveis a contabilizar, Doria, novo comandante em chefe das tropas tucanas, deu partida a ambiciosa estratégia de revigorar a legenda, a partir do ingresso de dois ex-aliados de Bolsonaro: Paulo Marinho, suplente do senador Flávio, o 01, e Gustavo Bebiano, ex-ministro da Secretaria geral da Presidência.

Com a iniciativa, Dória tira o PSDB da órbita do governador Wilson Witzel, que sonha igualmente em se candidatar à Presidência da República. Presente à festa, Otávio Leite foi citado pelo governador tucano como testemunha de do seu esforço para revigorar o partido em todo o país. Secretário estadual de Turismo, Leite parecia caminhar na direção de uma aliança com Witzel, projeto abortado aparentemente pela mudança de peças no comando partidário. Paulo Marinho tem a missão central de reerguer a legenda no segundo mais importante estado do País com vistas ao projeto presidencial de João Dória.

Após receber o título de cidadão carioca do vereador Felipe Michel, o governador de São Paulo fez uma digressão, relembrando as dificuldades pessoais que teria superado ao longo da vida. Disse ser falsa a ideia de que nascera em berço de ouro. Falou das atribulações da infância, com a perda precoce do pai. “Quantas vezes tivemos a luz cortada por falta de dinheiro para pagar a conta”, lembrou. Atribuiu a sua obstinação, as vitórias obtidas.

Ao lado da deputada federal Joice Hasselmann, estrela do bolsonarismo paulista, Dória fez questão de exibir diferenças em relação ao presidente. Defendeu o diálogo entre esquerda e direita. Lembrou que seu pai fora cassado “pelo golpe de 64”. Escandiu as sílabas de golpe num visível esforço para não deixar dúvidas sobre sua posição a respeito do movimento militar. Em seguida, defendeu Moro e fez críticas a Lula. Em síntese, mostrou-se apto a construir pela direita uma candidatura sem a interdição do diálogo com setores de esquerda.

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