16/06/2019 05:49

Acaba em confusão audiência para discutir política de cota na UERJ

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Acabou em confusão, com trocas de insultos e agressões físicas, a audiência pública realizada, segunda-feira, na capela da Uerj, para discutir o projeto do deputado Rodrigo Amorin (PSL, que propõe o fim das cotas para negros nas universidades estaduais. Na saída, o deputado Alexandre Kinoplock (PSL) foi filmado agredindo um estudante. Promovido pela Alerj o encontro contou também com a presença de representantes de partidos de esquerda, membros das comissões de Educação e a de Direitos Humanos. Ao invés de debate, prevaleceu o confronto com cenas explícitas de pugilato.

Seguranças dos parlamentares e outras pessoas tentaram intervir, mas a confusão continuou por alguns minutos. Os deputados saíram escoltados por seguranças e policiais militares.

O que dizem os citados

O deputado Alexandre Knoploch disse que ele e o deputado Rodrigo Amorim foram hostilizados desde que chegaram à Uerj. Rodrigo Amorim informou que não foi permitido espaço para o contraditório e que duas assessoras dele e do deputado Knoploch foram agredidas.Rodrigo Amorim afirmou ainda que vai pedir a anulação da audiência e que repudia o autoritarismo e a intolerância protagonizada por grupos radicais. Knoploch disse que reagiu a uma agressão. Mas as imagens não mostram que ele foi agredido. "Uma pessoa que estava na minha esquerda tentou me dar um soco. Automaticamente, virei e reagi", defendeu-se.

Os deputados Flavio Serafini, Mônica Francisco e Renata Souza, do PSOL, que também estavam na audiência, divulgaram uma nota dizendo que os parlamentares do PSL se comportaram de forma agressiva o tempo todo e provocaram a plateia.

A presidência da Alerj disse que aguarda notificação dos deputados sobre os acontecimentos para analisar o caso. Alguns parlamentares estudam abrir processo de quebra de decoro do deputado Kinoplock.

Criado pela Lei 4.151/03, o sistema de cotas determina que sejam reservadas no mínimo 20% das vagas de cada curso às pessoas negras, indígenas e oriundas de comunidades quilombolas. No ano passado, a Alerj aprovou a prorrogação da medida por 10 anos .
“Os deputados tomaram essa decisão frente aos resultados muito positivos em diversas esferas, seja na conclusão dos estudos ou nos percentuais de evasão. Desde 2008, há uma carga forte de preconceito que busca forjar uma realidade que nunca se concretizou. Estamos em um ambiente de ataque às universidades e à pesquisa científica”, declarou o deputado Waldeck Carneiro (PT), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia.



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