23/10/2019 01:18

Funcionário de doleiro diz que entregou dinheiro para a mãe de Chiquinho

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A Justiça federal ouviu nesta segunda-feira (10) oito testemunhas de acusação da operação Furna da Onça, que prendeu deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio. Entre as pessoas ouvidas estavam três doleiros: Cláudio Fernando Barbosa de Souza, conhecido como Tony, e também os irmãos Chebar. Um funcionário dos irmãos Chebar contou que entregou dinheiro para a mãe do Chiquinho da Mangueira.

Quatro deputados estaduais e dois federais vão prestar depoimentos ainda essa semana. Todos como testemunhas de defesa dos réus. Como eles têm prerrogativa, já escolheram o dia e a hora para serem ouvidos.

A operação Furna da Onça é um desdobramento da operação Lava Jato, que desvendou esquema de corrupção na Assembleia Legislativa. São réus no processo André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinicius "Neskau" (PTB), que respondem pelos crimes de corrupção passiva e também associação criminosa.

Todos os doleiros contaram que movimentavam o dinheiro de propina para o ex governador Sérgio Cabral. Eles disseram que não tinham contato direto com os parlamentares que são réus neste processo.Marcelo Chebar, por exemplo, disse que o dinheiro era sempre entregue para um funcionário de Cabral. Mas um funcionário dos irmãos Chebar contou que entregou dinheiro para a mãe do Chiquinho da Mangueira.

Algumas das testemunhas ouvidas até o início da tarde desta segunda-feira são colaboradoras e contaram que não tinham contato direto com os réus, e que apenas entregavam dinheiro a mando os doleiros, os irmãos Chebar. Disseram ainda que não sabiam quem era o destinatário final do dinheiro de propina que estavam entregando.

Chiquinho da Mangueira segue em prisão domiciliar por problemas de saúde. E os outros quatro continuam no presídio de Bangu 8. De acordo com a denúncia do MPF, eles teriam recebido uma espécie de "mensalinho" e teriam negociado cargos em órgãos públicos estaduais, sobretudo o Detran.

Em troca, eles atuavam pela aprovação de leis que eram de interesse de Sérgio Cabral. A atuação do deputados teria envolvido aprovação de contas públicas e a rejeição de propostas de instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs), para apurar irregularidades na gestão, dentre outras medidas. A operação Furna da Onça foi deflagrada em novembro do ano passado.

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