19/08/2019 05:18

CPI DA UERJ, DESNECESSÁRIA E INOPORTUNA

imagem

RICARDO BRUNO

Após a turbulência dos escândalos e prisões de gestões anteriores, a Assembleia Legislativa iniciou um período virtuoso com a presidência de André Ceciliano. Contestado inicialmente por preconceitos a sua filiação partidária, o petista Ceciliano superou o confronto ideológico e se impôs como um presidente moderado, aberto ao diálogo, e com capacidade para ajudar na construção de uma base de apoios que garanta a governabilidade de Wilson Witzel.

Mais do que gestos, o presidente da Alerj tomou para si a tarefa de ajudar de modo efetivo à administração estadual. A crise financeira retirou do Palácio Guanabara, em boa medida, a capacidade de novos investimentos na melhoria dos serviços públicos. Ao perceber tal fragilidade, a Alerj abriu o seu orçamento para garantir ações administrativas essenciais. Ao fazê-lo, Ceciliano firmou com o governador Witzel uma espécie de pacto político-administrativo em nome da garantia da prestação de serviços essenciais à sociedade fluminense.

Liberou recursos para a reforma do IML, cujas instalações foram degradadas a ponto de comprometer seu funcionamento. Na segurança pública, destinou verba para a contratação de 3 mil policiais militares e 200 civis. Nos próximos dias, a Alerj vai anunciar importante parceria com o Governo do Estado para zerar o transplante de córneas e também a enorme fila de cirurgias ortopédicas. Sairão dos cofres do Legislativo RS 50 milhões para a execução de tais projetos. Há outras boas notícias. Em breve, a Assembléia deve financiar o Governo do Estado para desapropriar um enorme campus universitário, hoje completamente desativado na Zona Norte.

A pauta positiva inaugurada por André Ceciliano parece, contudo, ameaçada pela decisão de submeter ao plenário a criação de uma CPI para investigar as universidades estaduais. O pedido, do deputado Alexandre Kinoploc (PSL), tem fragilidade regimental, pois não há fato determinado, como exige o artigo 30, parágrafo 4º. Ao justificá-lo, o parlamentou divagou: “ Há indícios de má gestão”.

Se aprovada, a CPI das universidades vai trazer para o Rio um confronto desnecessário e inoportuno, transformando a Alerj num caldeirão de conflitos ideológicos de interesse exclusivo de grupos radicais que se nutrem e sobrevivem destes embates. A rigor, a CPI das universidades, tal qual proposta, cumpre apenas o objetivo de mimetizar no Rio os confrontos irracionais e autodestrutivos em que se engalfinham o ministro Abrahan Weintraub e as universidades federais. Um embate em desfavor do interesse público. E sob medida para satisfazer grupos cujo único objetivo é acirrar divergências e assim se manter de pé eleitoralmente. Em outras palavras: os eleitores de Kinoploc talvez aprovem a iniciativa; o conjunto da sociedade, não.

Este pode ser o primeiro grande erro de André Ceciliano

'