26/05/2019 02:10

PEZÃO RECEBE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA FAZER EXAME DE MONITORAMENTO DO CÂNCER

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RICARDO BRUNO

Após 42 dias de espera, o ex-governador Luiz Fernando Pezão obteve ontem autorização judicial para deixar uma das celas do Batalhão Especial Prisional da PM – onde está preso desde novembro do ano passado - e se submeter a exame de acompanhamento do câncer de que fora vítima, hoje aparentemente debelado. O oncologista Daniel Tabak recomendou o monitoramento semestral através do pet scan, procedimento que permite o rastreio de toda e qualquer recidiva. O prazo venceu em janeiro último mas o ex-governador somente fez a solicitação formal em 27 de março.

Antes de decidir, como de praxe, a juíza substituta da 7ª Vara Criminal Federal, Caroline Vieira Figueiredo, enviou o processo ao Ministério Público, que, entretanto, não se manifestou no prazo regimental. Diante da omissão do MP e dada à gravidade do caso, a magistrada solicitou a devolução do autos e deliberou favoravelmente ao pedido da defesa. O silêncio do MP retardou em alguns dias a autorização, trazendo inquietação entre os amigos e apreensão na família.

“Analisando o requerimento e os documentos que o instrui, entendo que o deslocamento pretendido é necessário, especialmente pela especificidade do exame e da gravidade da doença da qual o acusado é portador”, afirmou Caroline Vieira em seu despacho.

Segundo a Lei de Execução Penal em seus artigos 12 e 14, o preso ou internado, terá assistência material, em se tratando de higiene, a instalações higiênicas e acesso a atendimento médico, farmacêutico e odontológico.

Abatido, Pezão perdeu 12 quilos durante o período em que está preso, fazendo aumentar a preocupação dos médicos com uma possível queda de suas defesas. O exame será realizado no próximo dia 22, no Hospital Samaritano.

Em 2017, Pezão (PMDB), foi diagnosticado com um tipo de câncer denominado linfoma não Hodgkin, localizado no tecido ósseo, conforme informou a equipe médica do hospital Pró-Cardíaco. O câncer encontrado no governador é do tipo anaplásico de grandes células T (T-ALK positivo). De acordo com o oncologista Daniel Tabak o tipo de câncer diagnosticado é incomum e agressivo, mas potencialmente curável.“Mais de 70% dos pacientes ficam curados com o tratamento administrado dessa forma”, afirmou à época o oncologista.
Linfoma é o termo usado para designar os tumores cancerígenos no sistema linfático, formado por vasos finos e gânglios (linfonodos) que atuam na defesa do organismo levando nutrientes e água às células e retirando resíduos e bactérias. Existem duas categorias: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin.

O linfoma de Hodgkin é mais raro e atinge na maioria jovens e pessoas de meia idade. Já o não Hodgkin, como o que afetou Pezão, responde por 90% dos casos e atinge principalmente pessoas com mais de 55 anos.

No PET , a pessoa recebe uma aplicação de glicose (um tipo de açúcar), marcada com o FDG na veia. O FDG é uma substância que contém uma dose baixíssima de radiação, no entanto a máquina do PET é capaz de detectar mesmo essas baixas quantidades. Logo, quando a glicose com FDG é injetada na veia, rapidamente as células cancerígenas começam a consumi-lo. O aparelho então identifica onde está acontecendo este consumo de açúcar, gerando uma imagem destes locais do corpo.

No mesmo momento, a máquina do PET/CT realiza uma tomografia computadorizada, um exame capaz de gerar imagens do corpo extremamente precisas. As imagens são feitas usando raios X, como os das radiografias. Porém a máquina de tomografia é capaz de produzir imagens como se estivéssemos cortando o corpo e olhando por dentro.


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