19/08/2019 05:29

Parlamentares presos tiveram boa votação na última eleição

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Os mandados de prisão cumpridos pela Polícia Federal nesta quinta atingiram 10 deputados estaduais do Rio. Destes, sete disputaram a reeleição no último pleito, excetuando apenas Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo , presos desde o ano passado. Cinco foram reeleitos, e dois ficaram como suplentes. Ademais, outro alvo da operação foi Vinícius Farah , vice-presidente do Detran e ex-prefeito de Três Rios, recém eleito deputado federal pelo MDB.Todos os políticos tiveram votações expressivas na última eleição. Dentre os concorrentes à Alerj, André Corrêa (DEM) teve o melhor número, sendo o sétimo mais votado. Os dois que não conseguiram se reeleger, Coronel Jairo (Solidariedade) e Marcelo Simão (PP) terminaram como suplentes, com chances reais de assumir um mandato nos próximos anos.



Segundo o Ministério Público Federal, a impugnação dos mandatos dos acusados é possível, mas ainda não há como se fazer esse pedido ao Tribunal Regional Eleitoral pois a denúncia não foi oferecida. Já os registros das candidaturas, conforme o fim da eleição, não podem mais ser cassados.



Os parlamentares são acusados de fazerem parte de um esquema comandado por Sergio Cabral para compra de apoio político. Outro fato comum entre eles é que todos votaram pela soltura de Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo em polêmica sessão na Alerj, no ano passado. A decisão foi posteriormente anulada pela justiça, e hoje Picciani cumpre prisão domiciliar. Os demais estão presos.



Como foi a votação de cada um

Vinícius Farah (MDB) : O único eleito para um cargo inédito na sua carreira, o de deputado federal. Ele é ex-presidente do Detran/RJ e também ex-vereador e ex-prefeito de Três Rios, entre 2008 e 2016. Recebeu 57.707 votos, mais que nomes tradicionais, como Pedro Paulo, Benedita da Silva, Clarissa Garotinho, Chiquinho Brazão e Jean Wyllys. Teve R$1.244.175 de recursos para sua campanha, sendo R$240 mil de doação do próprio bolso.





André Corrêa (DEM): Foi eleito para seu quinto mandato como deputado estadual, ao receber 66.881 votos no último pleito. Foi o sétimo mais votado no Rio. Corrêa já foi secretário estadual do Meio Ambiente por duas vezes. Na última campanha, recebeu R$713.972, mas apenas R$40 mil do partido. A maior parte veio de doações, com destaque para R$300 mil doados pelo empresário Roberto Luiz Jatahy Gonçalves, sócio de 155 empresas em vários estados do Brasil, a maioria de roupas. O também empresário Thomas Reis Simon fez aporte de R$100 mil.



Luiz Martins (PDT): Foi eleito para seu terceiro mandato seguido. Praticamente manteve a voação de 2014, com 38.449 votos. Votou pela nomeação de Domingos Brazão para conselheiro do TCE e para revogação dos deputados presos.



Marcos Vinícius Vasconcelos Ferreira, o Neskau (PTB): Asssumiu como deputado estadual pela primeira vez em 2008, quando era suplente, e foi reeleito nos pleitos seguintes. No último mês, recebeu 30.454 votos. É o terceiro vice-presidente da Assembleia Legislativa do Rio e presidente regional do partido no Rio de Janeiro, o que ajuda a entender a vultuosa doação de R$970mil do partido que recebeu para a campanha. Já foi secretario estadual de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida, entre 2013 e 2014.





Chiquinho da Mangueira (PSC) : Diminuiu seus votos em relação a 2014, quando recebeu 27 mil. Dessa vez, foram 22.141, ainda assim o suficiente para sua reeleição. É deputado estadual desde 2003. Presidente da Mangueira, iniciou na política como presidente da Suderj, no início dos anos 2000. Foi expulso do Podemos por votar para revogação da prisão de Picciani, Melo e Albertassi. Em 2009, na gestão de Eduardo Paes, foi nomeado como Secretário Municipal de Esportes e Lazer.



Marcos Abrahão (Avante): Recebeu 24.261 votos. Ingressou na política no ano de 2000, como vereador em Rio Bonito. Em 2002 candidatou-se a deputado estadual e ficou como primeiro suplente no PSL. Posteriormente, assumiu o mandato de Valdeci Paiva de Jesus, que foi assassinado. No entanto, foi acusado de ser o mandante da morte do deputado, e a teve o mandato cassado em votação na Alerj. Depois, conquistou uma liminar para continuar no cargo. Foi reeleito desde então, passando pelo PTdoB e Avante.



Coronel Jairo (Solidariedade) : Com 24.620 votos, não conseguiu a reeleição. Mas é o primeiro suplente de seu partido. É deputado estadual desde 2002. Além disso, preside o Ceres Futebol Clube, da Série B do Campeonato Estadual do Rio. Na última eleição já havia terminado como suplente, mas assumiu mandato nos anos seguintes.

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