17/07/2019 11:20

Fuzilamento é consequência da ordem vigente de estímulo à violência

RICARDO BRUNO

O fuzilamento do carro de uma família, com a morte do músico Evaldo Braga, não foi acidente, falta de destreza ou qualquer outro ato infeliz decorrente de equívoco involuntário. Ninguém desfere 80 tiros de fuzil se não tiver o incontroverso propósito de matar. Seria um exagero até mesmo se os ocupantes do carro fossem efetivamente suspeitos, mas como se tratava de uma família, o caso ganha ares de extermínio. Bárbaro, hediondo, medieval. É preciso que se diga: o fuzilamento de ontem resulta da mentalidade vigente das autoridades atuais, entre as quais o presidente Bolsonaro, de estímulo ao abate indiscriminado como forma e método de combate ao crime.
Os jornais de hoje trataram estranhamente o caso com relativa discrição. No máximo, uma chamada no pé da primeira página. O tema merecia mais, exigia estardalhaço, manchete, manifestação de repúdio. Sem falar na consulta à opinião do indômito Ministério Público, que ultimamente se manifesta sobre quase tudo: do narcotráfico aos crimes de colarinho branco passando pela redução das gigogas do litoral carioca.
Ou a sociedade brasileira reage com ímpeto e firmeza no combate a atos desta gravidade ou estaremos sim imersos na treva de um regime ditatorial.

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