26/04/2019 07:47

Júnior, da Odebrecht, afirma em delação que Cabral era arrecadador de propinas de Pezão

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O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) atuou como ‘arrecadador de propinas’ e também de recursos para abastecer a campanha de seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, em 2014. Detalhes da ação de Cabral para eleger Pezão estão na ação civil pública que o Ministério Público do Rio ingressou na Justiça nesta terça, 2, contra os dois e outros envolvidos no esquema. A investigação foi reforçada com detalhes indicados pelo executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o ‘BJ’.Júnior é o mais antigo operador financeiro da Odebrechet, tendo mantido relações próximas com todos os ex-governadores nos últimos 20 anos.

Cabral, já condenado a 197 anos de prisão. Cabral vinha negando enfaticamente ligação com desvios de verbas públicas e corrupção. Agora, mudou de estratégia, virou réu confesso e disse que o apego ao poder e ao dinheiro ‘é um vício’.Nesta ação, a Promotoria cobra R$ 325 milhões dos réus, solidariamente, por propinas supostamente pagas a Pezão a partir de autorização do 4.º aditivo das obras do Metrô.O aditivo contratual de número 4 ao contrato original de concessão da Linha 4, único assinado por Pezão, acarretou um incremento de cerca de R$ 852 milhões ao valor do contrato, ‘a cargo exclusivamente do combalido erário estadual fluminense’, segundo a ação.

O quarto aditivo, firmado em 29 de dezembro de 2015, elevou o custo total das obras da Linha 4 do Metrô para R$ 9,64 bilhões.Segundo a investigação, Cabral fazia uma espécie de ‘transição de poder’, apresentando Pezão e ‘informando que os esquemas de pagamentos de propinas seriam a partir de abril de 2014 tratados e instrumentalizados diretamente com o novo Governador do Estado do Rio de Janeiro’ – Cabral renunciou ao cargo de governador em 2 de abril daquele ano.

“Em tais reuniões, além de explicar essa espécie de transição no esquema arrecadador de propinas levado a cabo pela alta cúpula do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o demandado Sérgio Cabral, com prévio conhecimento e anuência do demandado Luiz Fernando de Souza (Pezão), solicitava ainda contribuições/doações para a campanha (de Pezão), pagas das mais variadas formas, desde doações declaradas até pagamentos por serviços, mormente de propaganda, sem devida declaração à Justiça Eleitoral (‘caixa 2’)”, sustenta a Promotoria.

Os pagamentos de caixa 2 podiam ser pagos ‘com entrega em dinheiro em território nacional ou ainda no exterior por meio de transações por empresas offshore’.A investigação foi reforçada com detalhes indicados pelo executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o ‘BJ’.

“Que à época que o colaborador exerceu a função de diretor superintendente da área de Infraestrutura da Construtora Norberto Odebrecht no Brasil – Região Sudeste, desenvolveu uma relação de proximidade com Sérgio Cabral, que passou para a esfera pessoal, de modo que se tornaram bem próximos.”

“Que essa relação se estendeu a Luiz Fernando Pezão; Que na campanha de 2014 para o Governo do Estado do Rio, o então governador Sérgio Cabral lançou a candidatura de seu vice-governador, Luiz Fernando Pezão, seu aliado político e também filiado ao PMDB; Que o governador Sérgio Cabral atuou como arrecadador de recursos para financiamento de campanha do então candidato Luiz Fernando Pezão.”

Segundo o delator, no primeiro trimestre de 2014, em reunião no Palácio Guanabara, sede do Governo do Rio, o então governador Cabral solicitou a ele doações para a campanha de seu candidato, Pezão.

‘BJ’ afirma que atendeu ao pedido de Cabral, concordando em fazer doações para a campanha com recursos de caixa 2.

“A eleição de Luiz Fernando Pezão representaria a continuidade do projeto do governador Sérgio Cabral para o Estado do Rio, com a sequência de projetos de infraestrutura que interessavam à Construtora Norberto Odebrecht”, segue o delator.

Segundo ele, o atendimento aos pedidos de Cabral ‘visava manter a boa relação conquistada pela Construtora na sua gestão, durante a qual a Odebrecht havia conquistado projetos relevantes, e, dessa forma, evitar embaraços aos projetos existentes e interrupções ou atrasos no fluxo regular de pagamento dos contratos conquistados’.

Na ação, a Promotoria sustenta. “Além de propinas recebidas em seu próprio benefício e de pessoas a si ligadas e oriundas de diversas fontes corruptoras, o demandado Sérgio Cabral, no primeiro trimestre de 2014, quando ainda exercia o cargo de governador do Estado do Rio, atuou como arrecadador de recursos para a campanha do demandado Luiz Fernando de Sousa, à época seu vice-governador e secretário Estadual de Obras.”

O Ministério Público assinala que o próprio Sérgio Cabral ‘admitiu em recente depoimento que no início de 2014 ocorreram diversas reuniões no Palácio Guanabara com grupos empresarias, dentre os quais o Grupo Empresarial Odebrecht, nas quais fazia uma espécie de ‘transição de poder’, apresentando Luiz Fernando de Sousa, e informando que os esquemas de pagamentos de propinas seriam a partir de abril de 2014 tratados e instrumentalizados diretamente com o novo governador do Estado do Rio’.

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