12/06/2021 09:16

Quem é Pedro Castillo, o sindicalista que se aproxima da vitória no Peru

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Fórum - Ainda com a apuração em andamento, já é possível afirmar que Pedro Castillo, professor e sindicalista de 51 anos que se lançou à presidência com o partido Peru Livre, conseguiu conquistar o apoio popular das classes mais baixas do Peru e dos redutos mais interiorizados. Com Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, como adversária, o socialista travou uma dura disputa que vai ser decidida voto a voto – mais uma vez.

Assumidamente de esquerda, o candidato do partido marxista-leninista-mariateguista Peru Livre ganhou o primeiro turno de forma surpreendente, principalmente com o respaldo do interior. Em uma eleição hiperfragmentada, ele alcançou mais de 18% dos votos e ocupou a dianteira na apuração. Logo atrás, surgiu Keiko, da Força Popular.

Se foi azarão no primeiro turno, no segundo ele mostrou que seu apoio popular é real e continuou na liderança das pesquisas mesmo após a união em torno de Keiko formada por grupos midiáticos e pelas elites políticas liberais, incluindo o escritor Mário Vargas Llosa. Na apuração, aos 94.847 %, Castillo ocupa a dianteira com 50,165% dos votos contra 49,835% de Keiko. A margem, apertada, é superior a das eleições de 2016, quando Pedro Paulo Kucinski, o PPK, venceu a filha do ex-ditador por apenas 0,24 ponto percentual.

Professor na província de Cajamarca, Castillo ganhou projeção nacional quando liderou a greve nacional de docentes de 2017, que paralisou as aulas por três semanas exigindo melhores condições para profissionais de educação. Não é à toa que seu slogan eleitoral é “Palavra de Mestre” e seu símbolo é um lápis gigante.

Terceiro de nove irmãos, desde cedo conheceu a desigualdade no país andino. Começou seus estudos na Escola Rural N° 10465 e depois foi para uma unidade educacional localizada a duas horas de distância, que percorria a pé. Na juventude, trabalhou pela proteção de seu povo.

Castillo foi parte dos grupos “ronderos” nos anos 70, que protegiam os campesinos e agricultores sem assistência do Estado no interior do país. Os ronderos também atuaram para resguardar os povos diante da escalada de violência promovida pelo Sendero Luminoso e pelas Forças Armadas nos anos 80-2000.

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