12/06/2021 09:04
Artigo - Ricardo Bruno

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O tamanho de Cláudio Castro na disputa da reeleição

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RICARDO BRUNO

Resultado de eleição é sempre produto de vários fatores: pesam os predicados individuais do candidato; a correlação de forças decorrente da circunstância eleitoral (o cotejo entre o candidato e seus oponentes) e o modo mais ou menos assertivo de desenvolvimento da campanha. É demasiadamente precoce, portanto, se fazer prognósticos finais.

A mais de um ano do pleito, há, contudo, algumas evidências que começam a ganhar forma. A principal delas aponta para o nome do governador Cláudio Castro. Herdeiro involuntário do governo, ele se firma como um nome competitivo, a julgar pela recente pesquisa do Instituto Paraná.

A depender do cenário, sua intenção de voto varia entre 13% e 16%. O número é extremamente auspicioso para quem está à frente do governo há pouco mais de seis meses. Para se dimensionar a potencialidade de sua candidatura, lembremos do ex-governador Pezão, que, em fevereiro do ano eleitoral – 2014 – tinha apenas 5%. E venceu.

Sem protagonismo central na política fluminense, Castro foi alçado pelo destino a governador do segundo mais importante estado da federação. E está se conduzindo de modo equilibrado, sem radicalismos, tampouco arroubos voluntariosos, o que lhe pode render maior aceitação junto ao eleitorado. Falta-lhe ainda resultado administrativo. Seu governo, como de resto todas as administrações, será julgado nas urnas fundamentalmente pelas entregas. Esta é principal régua pela qual o eleitor mensura as qualidades do administrador público que busca a reeleição.

Há que se considerar também o fato de Cláudio Castro ser desconhecido da maioria dos fluminenses. Em março, apenas 28% sabiam que ele era o governador do Rio. Hoje, esse percentual gira em torno de 35%. Na medida em que o grau de conhecimento crescer, a intenção de voto deve igualmente aumentar, caso, obviamente, o governo produza resultados efetivos na vida das pessoas. Hoje, há uma parcela dos que aprovam a administração estadual que sequer sabe o nome do governador.

Nas circunstâncias atuais, sem considerar o impacto de futuras realizações, Claudio Castro tem 17,1% de bom e ótimo e 41,3% de regular. Historicamente, o potencial de voto dos administradores públicos pode ser calculado pela equação: 60% do percentual de bom e ótimo. E 30% do regular. A simples aplicação da regra indica que o potencial eleitoral de Claudio Castro, hoje, é de cerca de 22%. Ou seja, ele tem muito a crescer a partir do simples conhecimento de seu nome. Sem considerar, resultados administrativos vindouros.

Se acertar na aplicação dos R$ 7 ou 10 bilhões provenientes da concessão da Cedae, a avaliação do governo deve melhorar substancialmente, dando-lhe maior competitividade. O crescimento da avaliação positiva somado ao grau de conhecimento de seu nome serão fatores decisivos para a definição de seu tamanho no pleito do próximo ano.

Há outras variáveis controláveis em jogo. A mais importante delas é a relação com Jair Bolsonaro. Cláudio Castro não pode, de fato, brigar com presidente, dada a absoluta dependência econômica do Estado do Rio em relação ao Governo Federal. Tampouco pode exagerar nesta proximidade a ponto de ser tomado como um bolsonarista-raiz, o que lhe tiraria o voto do eleitorado de centro, hoje decepcionado com a administração desastrosa de Jair Bolsonaro na pandemia.

Abordamos nesta análise as chamadas variáveis controláveis. Obvio que processo resulta também de muitas outras variáveis incontroláveis, que serão definidas a partir do desempenho e do comportamento dos adversários no curso da campanha.

Para ter chance, o candidato precisa, primeiro, acertar o máximo naquilo que lhe compete definir no campo político-eleitoral. Se o fizer, garante ao menos competitividade. E eventualmente também a vitória.

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