19/08/2019 04:44

Presidência da Alerj será primeiro teste da base governista

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Eleito com a promessa de não trocar nomeações em cargos públicos do Executivo por votos, Wilson Witzel (PSC) saiu das urnas em princípio com uma base de apenas 15 dos 70 parlamentares na Assembleia Legislativa ( Alerj ) que tomam posse no ano que vem. A estratégia para conquistar a maioria na Casa deverá se dar em duas frentes que necessariamente envolverão negociação política.A presidência da Asssembleia é uma incógnita. E será o primeiro teste da articulação da base governista.

O MDB, que já foi o maior partido do estado, desidratou, atingindo em cheio pelas investigações da Operação Calicute. O ex-presidente da Casa, Jorge Picciani, está preso. A escolha do nome terá relevância no futuro da relação de Witzel com o Legislativo. Um dos instrumentos que o governador eleito terá para atrair essa maioria será a liberação de emendas parlamentares. O problema para por o plano em prática é a situação das contas públicas. Apenas em 2019, o déficit entre a arrecadação e os gastos previstos é de R$ 8 bilhões. Para 2020 e 2021, a expectativa é que as contas continuem no vermelho, o que pode dificultar a liberação das emendas dos parlamentares.

Hoje, o partido de Witzel conta apenas com as duas cadeiras (Márcio Pacheco e Chiquinho da Mangueira) e as 13 vagas conquistadas pelo PSL de Jair Bolsonaro cuja maioria dos parlamentares eleitos já declarou apoio ao ex-juiz.

No fim do primeiro turno, Witzel chegou a anunciar que o deputado eleito Rodrigo Amorim (PSL) seria o líder do seu governo. Rodrigo é o deputado eleito que apareceu em vídeo próximo a Witzel durante um comício na Região Serrana em que foi quebrada uma placa em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco. No entanto, o convite foi desfeito:

— Após o anúncio, houve uma reunião com o PSL. Ficou definido que qualquer questão envolvendo o partido seria tomada de forma conjunta. Por isso, ainda não há definição de quem será o líder. Há questões a considerar. Uma delas é que Márcio Pacheco é pré-candidato à presidência da Alerj — disse o vereador e vice-governador eleito, Cláudio Castro (PSC).



A Alerj tem quatro pré-candidatos à presidência: Pacheco, Amorim, André Corrêa (DEM) e André Ceciliano (PT). Este último assumiu a presidência após o afastamento de Jorge Picciani (MDB) durante a Operação Cadeia Velha.



— Só não concordaria com um nome do PT — disse Márcio Pacheco.



Outro problema que Witzel enfrentará é a extrema fragmentação partidária, o que deve dificultar negociações. Em 2014, a composição original do Palácio Tiradentes tinha representantes de 22 partidos. A partir de 2019, serão 28 legendas. Na análise de especialistas, só será possível avaliar o tamanho da base após a montagem do secretariado, que, mesmo com perfil técnico, pode ter vinculações políticas. Por fim, a escolha levará em conta ainda a conjuntura política nacional.



—O alinhamento de Witzel com Bolsonaro favorece que a presidência da Alerj fique com o PSL. Resta saber se entre os eleitos há algum político com maturidade e habilidade para isso — diz o cientista político Ricardo Ismael, da PUC- Rio.

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