19/03/2019 19:43

Cabral delata Pezão, Paes e até o arcebispo D.Orani

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Numa espetacular guinada de comportamento, o ex-governador Sérgio Cabral voltou a delatar seus amigos e colaboradores mais próximos em depoimento ao juiz Marcelo Bretas. De uma só vez, afirmou que o ex-governador Pezão foi beneficiário de propinas, algumas das quais entregues por ele mesmo; garantiu que o ex-prefeto Eduardo Paes recebeu contribuições em caixa dois na campanha à Prefeitura do Rio e lançou suspeições até na direção do cardeal Orani João Tempesta. “Não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a O.S. da Igreja Católica, da Pró-Saúde. O dom Orani devia ter interesse nisso, afirmou.

“Com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha sim interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida”, afirmou.

O ex-governador apontou o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) como recebedor de propinas. Cabral definiu a cobrança de propina em seu governo como um "vício" e um "erro de postura" --é a primeira vez que ele admite na Justiça desde que foi preso em novembro de 2016 ter recebido dinheiro sobre contratos. De acordo com Cabral, Pezão "recebia cerca de R$ 150 mil que eu mesmo mandava entregar a ele desde que ele era secretário de Obras e não é uma mentira de qualquer delator".

Segundo Cabral, a campanha de Pezão ao governo do estado custou R$ 400 milhões, embora já tenham sido declarados R$ 45 milhões. Ao ser lembrado por Bretas de que, anteriormente, tinha negado esses fatos, Cabral declarou que havia faltado com a verdade: "Eu peço desculpas,

Ainda no depoimento, Cabral afirmou que o ex-prefeirto Eduardo Paes não recebeu suborno mas foi beneficiário de caixa dois na campanha à Prefeitura do Rio em 2008. Segundo o ex-governador, ele próprio arrecadou junto a empresários cerca de R$ 4 milhões para Paes, não contabilizados na prestação de contas.
De acordo com Cabral, quase todos empresários que fazem doações eleitorais esperam receber algo em troca no futuro. "Raríssimos os empresários que deram dinheiro em campanhas eleitoral que não esperavam resultados. Todos esperam um retorno. É uma espécie de toma lá dá cá. Você me ajudou, e eu vou ajudá-lo", explicou.


Questionado por Bretas por que ele sempre havia dito que o dinheiro de propina era caixa 2, Cabral respondeu que era difícil admitir, dizer que havia roubado. "Dói muito. Hoje não me dói mais. A alguém que tem uma carreira política reconhecida pela população, dói muito [chegar aqui e dizer que roubou]."


Em nota, a Arquidiocese do Rio respondeu que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu arcebispo “têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum”.






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