16/02/2019 16:06

Flávio Bolsonaro volta atrás e vai ficar no comando do PSL

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Um dia após confirmar que deixaria a presidência do PSL no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro recuou e, agora, afirma que permanecerá no comando do partido no estado até junho, quando encerrará seu mandato como presidente interino. Nesta terça-feira (29), o deputado estadual e senador eleito dissera que já havia "cumprido sua missão" como presidente do PSL-RJ e que, por conta da mudança para Brasília, deixaria o posto. Segundo fontes, a mudança de postura ocorre para dissipar o clima de disputa, entre alas do PSL, que ganhou força com a revelação, pelo GLOBO, da saída de Flávio.

Diferentes grupos se movimentam para suceder a Flávio no diretório estadual. Os favoritos para ocupar o comando do partido são o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues; o deputado federal eleito Márcio Labre, o empresário Paulo Marinho, e a deputada estadual eleita Alana Passos. Leonardo Rodrigues é apontado como homem de confiança de Flávio e conta com a simpatia de parte da bancada de deputados estaduais eleitos; Alana é pessoa de confiança do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) e foi uma das poucas políticas a contar com a presença de Jair Bolsonaro em sua campanha na televisão; Paulo Marinho é visto como integrante da cota de Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL nacional e um dos mandachuvas do partido. Já Márcio Labre conta com o apoio de boa parte da bancada de deputados federais eleitos.

Uma fonte do PSL ouvida pelo GLOBO avalia que o adiamento da saída de Flávio é uma medida paliativa que não solucionará o clima de disputa pela sucessão:

— É inevitável que, quando chegar perto da eleição para definir o diretório estadual, em junho, essa atmosfera de disputa entre os grupos volte a ser criada.

Algumas pessoas que vivem o dia a dia do partido acreditam que Flávio não permanecerá na presidência da legenda até junho. Segundo elas, seria inviável o senador eleito ficar em Brasília e, ao mesmo tempo, receber candidatos a prefeito e vereador que já estão com a cabeça nas eleições do ano que vem.

— Você já imaginou o Flávio, cheio de questões para resolver em Brasília, recebendo a nominata de vereadores de Porciúncula? — indagou um.

Outra versão para a permanência de Flávio no comando do partido no Rio é que, desta forma, ele não demonstraria perda de força diante das investigações envolvendo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que expuseram movimentações "atípicas" em sua conta e na de seu assessor Fabrício Queiroz.

Flávio assumiu o comando do partido de forma interina em 2018, quando o clã Bolsonaro decidiu migrar do PSC para o PSL. De acordo com resoulção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), todos os partidos com comissões provisórias têm até 28 de junho para definir seus diretórios efetivos.
Segue abaixo a nota divulgada por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (29), um dia antes de o senador eleito voltar atrás e decidir ficar no comando do partido no estado:

"Já cumpri minha missão, que era estruturar o partido, em poucos meses, para a disputa eleitoral. No Rio, elegemos as maiores bancadas para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. Agora, vou assumir a cadeira no Senado, onde tratarei das questões nacionais. Serei um defensor do Estado do Rio de Janeiro em Brasília."

Já nesta quinta-feira, a assessoria de Flávio emitiu o seguinte comunicado:

"A assessoria de Flávio Bolsonaro informa que o senador manterá suas atividades na presidência do diretório regional, tratando com a mesma prioridade a sua atuação no Senado Federal. Estar à fretne do partido neste momento de eleição e transição permitirá a continuidade das estratégias de unidade e fortalecimento da legenda no Estado do Rio de Janeiro."

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