23/10/2019 00:20

Ceciliano e Correa afirmam ter maioria dos votos na Alerj

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Para presidir a futura Assembleia Legislativa, dois “Andrés” vêm correndo de forma obstinada atrás de votos: Ceciliano, que está interinamente à frente da Casa desde a prisão dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (os três do MDB); e Correa, que foi secretário do Ambiente de Luiz Fernando Pezão e líder do governo de Sérgio Cabral. Ambos dizer ter maioria dos votos. Mas os dois podem ganhar companhia no páreo. O deputado Márcio Pacheco (PSC) ensaia uma candidatura. E, apesar de muitos dos eleitos pelo PSL terem dito que o assunto só entraria na pauta do partido após o segundo turno das eleições, já há quem aponte um nome.

— Rodrigo Amorim ( o deputado que recebeu maior número de votos, 140 mil ) estará lá — diz o deputado eleito Alexandre Knoploch, referindo-se ao futuro colega que, em um comício, quebrou uma placa de rua em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março.

Ceciliano e Correa garantem que têm maioria para ganhar. O petista fala em 37, 38 votos. Entre eles, os cinco do PSOL, partido que, em contrapartida, seria mantido na presidência da Comissão de Direitos Humanos, onde está há 12 anos, e ganharia a de Educação.

— Não tenho, hoje, nenhum voto do PSL. Mas quero conversar com todos. Parlamento é lugar de conversa — afirma Ceciliano.

Correa — um dos acusados por Carlos Miranda de receber mensalão, algo que o deputado nega — tem o apoio de 46 colegas (do DEM, PSL, PRB, PSC, PSDC e PDT). O clima esquentou na Alerj depois que ele declarou que, se for eleito presidente da Casa, o PSL terá a Comissão de Direitos Humanos. Em plenário, Eliomar Coelho (PSOL) reagiu, dizendo que, neste momento, o que a Alerj menos precisa é de discurso de ódio. Correa acabou mudando o tom:



— Nas minhas conversas, disse que o PSL teria um espaço importante na Casa: a primeira vice-presidência, duas outras funções na Mesa Diretora e quatro comissões ainda não escolhidas. Não está escrito em lugar nenhum que o PSOL precisa ser perpetuado na Comissão de Direitos Humanos. É saudável a renovação. Vou buscar um nome equilibrado na Casa, de preferência que não seja do PSOL nem do PSL.



Disputas pela presidência à parte, parlamentares de esquerda e centro estão preocupados com declarações feitas por deputados eleitos pelo PSL e negociam a formação de um “blocão” de contra-ataque.



— Disseram que vão passar o rodo em cima da esquerda, dos direitos humanos, dos projetos LGBT. Chegaram a falar que iriam acabar com leis que defendem os direitos humanos, os gays. Querem rever essas conquistas. Estamos juntando pessoas que não aceitam que eles dominem a Casa — afirma Carlos Minc, líder do PSB.



Líder do PSDB, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, faz coro:

— O que queremos é um bloco independente, que trabalhe com harmonia e sem extremismos.

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