26/04/2019 06:56

Sem dinheiro, Sérgio Cabral tem dificuldade para pagar advogados

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O troca-troca de advogados de Sérgio Cabral está relacionado à absoluta falta de recursos da família. As negociações com escritórios de advocacia tem sido complicadas. De um lado, as propostas de honorários são vorazes dada a complexidade do caso e à desconfiança de que Cabral ainda tenha grande fortuna; de outro, a realidade: neste momento, a família não tem conseguido atender às exigências estratosféricas das bancas, pois os recursos sem exceção foram bloqueados e os principais amigos que estavam ajudando no pagamento dos honorários – Paulo Melo, Jorge Picciaini, Edson Albertassi e André Correa – hoje também estão presos.

Não foi por outra razão que o criminalista Márcio Delambert assumiu semana passada o caso. Ele também é advogado de Edson Albertassi.

- Continuo como advogado do Albertassi e estou assumindo a defesa do Cabral, mas não vamos fazer delação, não. No caso do Cabral, não há espaço para delação. Estou ficando a par nos processos. Estou entrando na causa para não fazer delação - afirmou Delambert ao GLOBO.

O novo advogado do ex-governador afastou qualquer possibilidade de delação e disse que a prioridade é começar pelos processos que estão com os prazos abertos, pendentes de manifestação da defesa. Delambert está recebendo informações de Rodrigo Roca, que está deixando a defesa de Cabral, na qual estava desde 2017. Roca não concordava com os planos do emedebista de tentar um acordo de delação premiada, com o Ministério Público Federal (MPF).
A expectativa era de que Cabral fizesse, numa eventual delação, revelações sobre corrupção no Poder Judiciário e entre ex-integrantes do alto escalão do Ministério Público do Estado do Rio — o ex-procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes chegou a ser preso sob a acusação de receber uma mesada para proteger o ex-governador e seu grupo político.

Antes de Delambert, a defesa do emedebista seria assumida pelo advogado João Bernardo Kappen , que representaria Cabral em conversas com o MPF e a Procuradoria-Geral da República, mas, logo depois que a notícia foi divulgada, ele informou ao GLOBO que outro escritório assumiria o caso. Kappen chegou a receber uma procuração do ex-governador para representá-lo nas conversas com as autoridades sobre um eventual acordo de delação.

Delambert disse que ainda está estudando cada processo para saber se haverá uma mudança na linha de defesa. Nos primeiros depoimentos, Cabral ficou em silêncio. Depois, resolveu falar e disse que usou recursos de sobras de caixa dois para fins pessoais. No último depoimento, voltou a ficar em silêncio. Um novo depoimento está marcado para o fim do mês.

Cabral teve outros advogados antes de Rodrigo Roca, mas eles também deixaram a defesa, entre eles Luciano Saldanha, Fernando Fragoso e Ary Bergher.Preso desde novembro de 2016, o ex-governador é réu em 26 processos e já foi condenado em nove deles a penas que totalizam 198 anos e 6 meses de prisão.

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