17/07/2019 11:19

Witzel já trabalha pela eleição de André Ceciliano na Alerj

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O jogo político pela presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) uniu a esquerda representada por André Ceciliano (PT) e o governador eleito Wilson Witzel (PSC). A costura levaria à desistência pela corrida ao posto do deputado Márcio Pacheco (PSC), do mesmo partido do governador e alinhado ao PSL. Irritada, a bancada da mesma sigla do futuro presidente Jair Bolsonaro já articula uma candidatura própria. A reação é porque os deputados do PSL não concordam com um nome da esquerda na presidência da Casa.A informação é de Walesca Borges do Jornal do Brasil.

“Na próxima semana, vamos ter uma reunião com o Márcio Pacheco. Caso ele venha a desistir, vamos lançar uma chapa própria. Já temos os deputados necessários para a formação. Não vamos votar no PT. Vencemos a esquerda nas urnas, votar num candidato do PT para presidência da Casa não tem lógica. Acredito que os deputados que querem uma nova política terão a nossa chapa como opção. O PT representa a velha política”, adiantou o líder da bancada do PSL na Alerj, Anderson Moraes.

Nos bastidores da Alerj, os deputados contam que há 99% de chances de Pacheco desistir. A costura do governo com Ceciliano garantiria a Witzel maior governabilidade na casa: “Witzel já percebeu que não dá para fazer ideologia política na Alerj. É diferente de campanha política. O partido do governador só fez dois deputados: o Pacheco e o Chiquinho da Mangueira, que está preso. Se Witzel declarar seu apoio a Pacheco, terá dificuldades para governar”, avaliou um deputado que prefere não se identificar.

Para ser eleito, Ceciliano, que está interinamente à frente da Casa desde a prisão dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (os três do MDB), precisará do apoio de ao menos 36, dos 70 deputados. No entanto, ele garante que tem maioria para ganhar. O petista fala em 40 votos.

“O que o estado menos precisa agora é de confronto com a Alerj. Nunca adotei uma postura de enfrentamento e, sim, de dialogar com os parlamentares e o governo. Tenho tranquilidade e responsabilidade para unificar o estado”, afirmou Ceciliano.

Ceciliano foi o primeiro a se apresentar para o jogo. As conversas iniciais saíram dos bastidores para o campo após sua reeleição (46.893 votos). Na atual diretoria da Alerj, ele era o 2º vice-presidente. Ano passado, com a prisão de Picciani, o 1º vice-presidente Wagner Montes (PRB) deveria ter assumido. Problemas de saúde, porém, o afastaram da Casa.

“O André à frente da presidência foi mais democrático do que o Picciani. Os deputados tiveram seus projetos, mesmo aqueles que eram polêmicos, votados. Isso não acontecia com o Picciani. Projeto polêmico e CPI não eram colocados em votação”, contou um deputado.

O partido da família Bolsonaro elegeu a maior bancada da Casa, com 13 deputados, mas com a validação de votos de outro candidato que havia ficado de fora, Pedro Ricardo acabou perdendo a vaga e o PSL ficou com 12 deputados a serem empossados em 2019. André Corrêa (DEM), até então potencial candidato à presidência da Alerj com o apoio do PSL, foi preso na Operação Furna da Onça.

Rodrigo Amorim (PSL) foi o deputado mais votado do Rio, com 140.666 votos, e chegou a sonhar com a presidência, mas o nome de Amorim já tinha causado mal-estar na Casa Legislativa. Em um comício durante a campanha, ele destruiu uma placa em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL) ao lado de Witzel. Em seu discurso, chamou de “vagabundos” e “canalhas” os responsáveis pela homenagem, o que repercutiu mal. A bancada do PSL, junta, soma 1,2 milhão de votos. “Os 12 deputados da bancada do PSL não ganham de 36. Eles não têm a maioria para ganhar a presidência”, disse um deputado.

Procurado, Witzel enviou nota por meio da sua assessoria de imprensa: “O futuro governo irá trabalhar junto aos deputados na Alerj para aprovar os projetos de interesse para a população e a recuperação do Rio de Janeiro. A escolha do novo presidente da Casa será uma decisão soberana dos deputados estaduais”.

Apesar de não declarar abertamente o apoio a Ceciliano, a neutralidade do governador eleito dá indícios sobre a sua conduta na disputa. Uma pessoa próxima a Ceciliano diz que o fato de Witzel não declarar apoio ao candidado de seu partido Márcio Pacheco já é “um sinal de bom ânimo” com o petista.

Reeleito com 48.317 votos, Márcio Pacheco evita entrar na polêmica. Questionado sobre o assunto, foi lacônico: “Não houve desistência. Apenas estamos contando votos e apoiamentos. Temos até fevereiro para isso”.
A posse dos deputados da Alerj está prevista para o dia 1º de fevereiro. Neste mesmo dia, deverá ocorrer a eleição do presidente da Casa.



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