14/07/2020 04:54

O Rio não pode ser usado como massa de manobra de burocratas a serviço de Bolsonaro

RICARDO BRUNO

O governador Wilson Witzel é um estranho no ninho político, até seus gestos, exageradamente empolados e formais, são inadequados ao meio. No mundo real, perdeu o controle da administração para alguns amigos sobre os quais pesam graves suspeições; não conseguiu imprimir ritmo administrativo tampouco teve capacidade para definir projetos e prioridades. Falta bússola, falta rumo. Tanto é verdade que Wilson Witzel está em vias de perder o mandato por conta de um impeachment em andamento na Alerj.

As fragilidades do governo, contudo, não autorizam um grupo de burocratas, à distância, longe da brutal rotina de demandas impostas ao governante, levar ao cadafalso o Estado do Rio de Janeiro. A diferença entre as compensações oferecidas e o montante de exigências é de apenas R$ 31 milhões, irrisórios 0,05% da Receita Corrente Líquida de 2019.

Por inexpressivo, o ajuste certamente será realizado de modo a atender aos tecnocratas de Brasília que, ao invés de adotarem postura conciliatória para a negociação, agem como fossem donos da verdade absoluta. Ou, pior e mais grave, agentes de desestabilização política a serviço do governo Jair Bolsonaro.

A julgar pelo prazo dado ao Rio – exíguos 15 dias – os burocratas que examinam a questão no âmbito do Conselho de Recuperação Fiscal tratam o destino de um estado com 16 milhões de habitantes como se fosse uma irrelevante periferia do Brasil, um desprezível recorte da geografia nacional. O Rio, o segundo mais importante estado da federação brasileira, merece respeito e não pode ser usado como massa de manobra para revanches ou vinditas de notório objetivo político.

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