17/02/2019 12:27

Witzel já se prepara para disputar a presidência em 2022

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O governador eleito Wilson Witzel está se preparando para se candidatar à presidência da República em 2022. Da mesma forma que se mostrava confiante na eleição ao Governo do Rio, quando era desconhecido e ainda tinha 1% das intenções de voto, Witzel começa a dar mostras de que sua ascensão ao cargo máximo da República é inexorável. A informação é de Ascâncio Saleme em sua coluna hoje em O Globo. Há alguns dias, numa reunião de amigos que brindavam mais uma vez sua eleição, Witzel saiu-se com essa: “Pena que serão apenas quatro anos”.
“Estupefatos, os amigos perguntaram por que. Witzel respondeu que como Bolsonaro já disse que não seria candidato à reeleição, e ele acredita na palavra do presidente eleito, está se preparando para disputar a presidência em 2022. Numa outra reunião, já no desempenho oficial do seu papel de governador eleito no processo de transição, disse numa visita oficial a uma instituição no Rio que seu nome já estava sendo comentado como possível sucessor de Bolsonaro.”

Leia a coluna
O governador eleito Wilson Witzel protagonizou momentos de constrangimento ao longo de sua campanha, e mesmo antes dela. Desde 2017 até a eleição de outubro, numa sequência de ações que não se sabe se era parte de uma estratégia ou apenas uma maluquice, ele dizia em todas as conversas que seria eleito governador em 2018. Conforme a disponibilidade do interlocutor, apresentava uma, duas ou dez das suas propostas de governo. Seus amigos diziam que ele era louco. Sua família parecia constrangida com aquela obstinação.
Quando sequer era candidato, já dizia que seria eleito. Depois de iniciada a campanha repetia a quem quisesse ouvir que seria governador. Nas primeiras pesquisas, quando ainda era um desconhecido e tinha traço, repetia e repetia que assumiria o governo no dia 1º de janeiro. Foi assim nos debates das TVs. Os outros candidatos, sobretudo os que estavam à sua frente, bem à sua frente nas pesquisas, riam do que parecia ser, ou era mesmo, uma bravata.

No debate da TV Globo, em 2 de outubro, Witzel repetiu com todas as letras que seria eleito governador do Rio dali a três dias. Ele tinha 7% dos votos, estava atrás de Eduardo Paes (26%), Romário (19%) e Índio da Costa (10%). Parecia conversa de desesperado. Segundo seus amigos, naquele momento ele estava absolutamente seguro de que ganharia no primeiro turno. Ninguém, fora o pessoal da campanha, acreditava que ele poderia mesmo ser eleito governador.

Nem seus amigos viam graça naquela obstinação. O deputado estadual eleito, Rodrigo Amorim, seu amigo de muitos anos — os filhos têm a mesma idade e frequentam a mesma escola —, foi o primeiro a chamar Witzel de louco. Eles estavam numa festinha de aniversário de criança, Witzel tinha 1% das intenções de voto e repetia aos presentes que seria eleito e dizia o que iria fazer. As pessoas ouviam um pouco, alguns pediam licença e saiam da roda. Rodrigo chamou Witzel num canto e pediu para ele parar. “Para com isso, você parece louco. Tem 1% dos votos e diz que vai ganhar a eleição. Sua família está com vergonha”.

Witzel se ofendeu e repetiu ao amigo que ganharia. Nessa mesma época, ele visitou o Ministério Público e o Tribunal e Justiça e repetiu a procuradores e desembargadores que seria eleito e apresentou seus planos de governo. Foi institucionalmente bem recebido, mas ninguém o levou a sério. Nenhuma pesquisa, nem trackings, mostravam que ele poderia sequer chegar ao segundo turno. Sua campanha tampouco tinha dinheiro para fazer sondagens.

O fato é que o primeiro turno , no qual ele quase liquidou a fatura, e o resultado final mostram que se ele era louco, era um louco visionário. Alguns de seus amigos dizem que ele é de fato um maluco, “mas um maluco do bem”. Agora, Witzel parece ter planos mais altos. Seu objetivo é o cargo de Bolsonaro. Há alguns dias, numa reunião de amigos que brindavam mais uma vez sua eleição, Witzel saiu-se com essa: “Pena que serão apenas quatro anos”.

Estupefatos, os amigos perguntaram por que. Witzel respondeu que como Bolsonaro já disse que não seria candidato à reeleição, e ele acredita na palavra do presidente eleito, está se preparando para disputar a presidência em 2022. Numa outra reunião, já no desempenho oficial do seu papel de governador eleito no processo de transição, disse numa visita oficial a uma instituição no Rio que seu nome já estava sendo comentado como possível sucessor de Bolsonaro. Ninguém reagiu. O silêncio foi parecido com o que recebia quando tinha 1% dos votos e dizia que seria eleito.

Seu amigo Rodrigo Amorim, o deputado mais votado do Rio e que protagonizou o ato polêmico de retirada da placa da Marielle no Centro, ao ouvir a mesma peroração do governador eleito, fez uma piada com ele: “Daqui a pouco você vai querer ser secretário-geral da ONU”. No que Witzel respondeu: “Ué? Por que não? Fala sério, você já me ouviu falando isso”.

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