21/07/2019 16:06

Após 13 depoimentos, Cabral se cala diante de Marcelo Bretas

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Após se defender em 13 interrogatórios, o ex-governador Sérgio Cabral decidiu permanecer em silêncio em audiência nesta sexta-feira (13) da ação penal em que é acusado de receber R$ 145 milhões em propina de empresas de ônibus."Vou optar por me manter em silêncio", afirmou ele, de forma breve, ao juiz Marcelo Bretas no início do interrogatório.

Cabral vinha se defendendo em todos os interrogatórios a que fora submetido. A única exceção foi em em fevereiro desse ano, quando se calou em protesto por sua transferência para Curitiba. Afirmou que a distância de seu advogado cerceava seu direito de defesa.

Nos dois primeiros interrogatórios conduzidos por Bretas e o juiz Sérgio Moro em processos sobre propina na Andrade Gutierrez, o ex-governador não respondeu a perguntas do magistrado e do Ministério Público Federal. Contudo, falou quando questionado por seus advogados de defesa.

"As ações se repetem, as declarações dos delatores se repetem. Não há mais nada a ser dito. Vamos pedir o compartilhamento dos depoimentos anteriores", disse o advogado Rodrigo Roca, que defende o ex-governador.

Cabral é acusado de pedir 5% de propina sobre os grandes contratos do estado. As 28 denúncias já apresentadas contra ele somam um pagamento ilegal de R$ 440 milhões.Ao longo de todos os 13 depoimentos, ele vem repetindo a tese de que não cobrou propina, mas se apropriou de restos de caixa dois de campanha.

No último depoimento, reconheceu ter arrecadado cerca de R$ 500 milhões ao longo de sua carreira política, tendo utilizado para si aproximadamente R$ 20 milhões."Eu não soube me conter diante de tanto poder e tanta força política, de uma maneira vaidosa querer fazer prefeitos nas cidades, vereadores, deputados, usar recursos...", declarou o ex-governador.

O emedebista decidiu permanecer em silêncio uma semana após ser condenado pela nona vez --oitava por Bretas. Ele já acumula 198 anos e seis meses de prisão de pena.

Na quarta-feira (12) o empresário Jacob Barata Filho confessou o pagamento de R$ 145 milhões a Cabral. Ele já havia assumido os crimes em agosto, quando afirmou que as empresas de ônibus mantinham um caixa paralelo para pagar agentes públicos.

"Ela começou como contribuição de campanha e depois evoluiu para outras contribuições. Não posso detalhar porque não era eu que fazia esse trato com o agente público", disse ele na ocasião.

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