02/04/2020 00:43

Crise pode inviabilizar em definitivo candidatura de Crivella

RICARDO BRUNO

É cedo para se analisar os impactos do coronavirus nas eleições municipais. O agravamento do quadro de crise, contudo, permite algumas ilações. A primeira é que de os atuais gestores da saúde pública nos munícipios poderão ser fortemente abalados, dada a expectativa de colapso absoluto do sistema hospitalar. O fato pode contaminar até mesmo prefeitos bem avaliados que, igualmente, poderão sucumbir diante do agravamento da situação.

No caso de Crivella, a situação é um pouco pior. O sistema de saúde do Rio já havia se mostrado deficiente e precário bem antes do coronavírus. Portanto, a crise e seus desdobramentos podem ser a pá de cal em suas pretensões. A menos que o improvável se dê e Rio se mostre exemplo no enfrentamento do problema, com assistência exemplar aos enfermos.

Se a crise se estender por mais de três meses, chegaremos a julho com o moral dos cidadãos ainda mais baixo, com possíveis situações de revolta e indignação dada a previsão de expressivo número de óbitos.

Contaminado pelo vírus, o ambiente político tende também a desidratar Bolsonaro e seus fanáticos seguidores, que insistem a desafiar a ciência e as evidências internacionais da gravidade do caso. A irresponsabilidade presidencial pode se converter no argumento definitivo para o convencimento de boa parte da população de que o ex-capitão, com seu estilo tosco, fanfarrão e beligerante, está mesmo absolutamente despreparado para o comando do pais. Neste caso, seu apoio pouco valerá.

De resto, como em todas crises, a atual abre caminho para a oposição se firmar – desde que mostre com equilíbrio e inteligência saídas para o drama nacional. A conferir.

'