24/02/2020 23:10

A MELANCÓLICA DESPEDIDA DE HÉLIO CABRAL DA CEDAE

imagem

Do ponto de vista político, foi um desastre a participação do ex-presidente da Cedae Hélio Cabral na audiência pública hoje pela manhã na Alerj. “Uma vergonha”, definiu o deputado Gustavo Schmidt (PSL), presidente da Comissão de Saneamento. “Uma confissão de culpa”, completou o deputado Luiz Paulo da Rocha. A indignação dos parlamentares era procedente: num flagrante desrespeito ao Parlamento, Cabral se recusou a responder às perguntas dos deputados; fez apenas um superficial speet sobre as dificuldades da empresa, após o qual deixou, às pressas, a Alerj sob o protesto de deputados, sindicalistas e técnicos em saneamento. Se se livrou do aperto dos parlamentares não escapou da fúria dos manifestantes: seu carro foi atingido por garrafas de água mineral, objeto símbolo da crise na distribuição de água no Rio.

A sessão começou com a formulação de perguntas dos parlamentares, mas quando tomou a palavra, Cabral ignorou as questões. Depois de cerca de 30 minutos, ele foi interrompido pelo deputado Gustavo Schmidt (PSL), que pediu para ele responder às perguntas. Nesse momento, Cabral leu um rápido pronunciamento em que se referia à sua demissão.

- Ontem, foi noticiado que o governador tomou a decisão de me substituir no cargo de presidente da Cedae. Por isso, não me sinto confortável em responder às perguntas - respondeu Hélio Cabral, que ainda disse que sua gestão conseguiu "avanços" em 2019.
A plateia, formada em grande parte por funcionários da Cedae e sindicalistas, começou a vaiar Cabral e gritar "CPI". Irritado , Schmidt disse que a postura era vergonhosa.

- É uma vergonha. O senhor desmantelou a companhia e fez uma covardia ao demitir 54 técnicos da Cedae - disse o deputado.

Em seguida, a deputada Renata Souza disse que a CPI para investigar a crise da água precisa ser rapidamente instaurada.

- Hélio Cabral demonstrou profundo desrespeito com a Casa. Precisamos instaurar já a CPI.

Nesse momento, Hélio Cabral deixou a sessão, que ainda não havia sido encerrada, e saiu em um carro que o aguardava na frente da Alerj. Ele não falou com a imprensa , e o veículo foi atingido por uma garrafa de água atirada por manifestantes.

Para o deputado Luiz Paulo (PSDB), a saída de Cabral da audiência foi "uma confissão de culpa":

- Foi uma confissão de culpa. Estou no meu quinto mandato e nunca vi uma cena dessas, alguém fugir de uma audiência pública. Isso reforça a necessidade da instauração da CPI.

Renata Souza (PSOL) disse que, após a "fuga de Cabral" os deputados vão conseguir as assinaturas para a CPI:

- Hoje o governador Wilson Witzel deu um tiro de bazuca no seu pé. Agora vamos conseguir as assinaturas para instaurar a CPI. Essa fuga do Cabral foi um desrespeito com a população fluminense - disse.

O deputado Gustavo Schmidt (PSL) faz parte da base de Witzel, mas é contra a privatização da Cedae. No fim da sessão, ele repetiu que a atitude de Hélio Cabral foi uma vergonha e afirmou que assinará o pedido para a CPI. O regimento da Alerj só permite a realização simultânea de sete CPIs, por isso, a deputada enfermeira Rejane (PCdoB) disse no plenário que entregou ofício pedindo a retirada de suas duas CPIs da fila, uma sobre Samu e outra sobre ponto eletrônico.

Algumas das perguntas ignoradas por Cabral foram sobre indicações políticas supostamente controladas pelo Pastor Everaldo, presidente do PSC; quando a água voltaria ao normal; sobre o motivo de Estação Guandu não ter interrompido o tratamento quando a geosmina foi detectada; os motivos da sua demissão.

Hélio Cabral iniciou sua apresentação culpando o passivo deixado por gestões anteriores na Cedae. Ele afirmou que a Estação do Guandu ainda possui equipamentos analógicos e que o ano de 2019 serviu para formular programas de modernizações. Cabral foi bastante vaiado quando colocou o excesso de ações trabalhistas e de altos salários como parte relevante dos problemas da companhia.

'