24/02/2020 23:03

MP denuncia ex-procurador e empresário dono do resort Portobello

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) divulgou hoje (7) que denunciou, na segunda-feira (3), o ex-procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes pelo crime de lavagem de dinheiro. Além de Lopes, foram denunciados sua mulher, Ana Beatriz Crespo Lopes, e o empresário Carlos Jardim Borges, dono do resort e do condomínio Portobello, em Mangaratiba, onde o ex-governador Sérgio Cabral tinha casa. Operações de venda de terrenos e casas no condomínio, com recursos de propina, acabaram envolvendo o empresário numa nebulosa teia de negócios suspeitos.

A denúncia foi ajuizada pelo substituto legal do Procurador-Geral de Justiça perante o Órgão Especial do Tribunal de Justiça. Segundo a denúncia da ação penal, os acusados teriam comprado bens móveis e imóveis com recursos financeiros recebidos por Cláudio Lopes em razão dos crimes de corrupção anteriormente denunciados, mediante dissimulação da origem ilícita dos recursos. O ex-procurador-geral já foi denunciado à Justiça pelos crimes de corrupção, quebra de sigilo funcional e organização criminosa. Os processos envolvendo o ex-procurador-geral encontram-se sob sigilo.

Cláudio Lopes também responde a procedimento disciplinar no âmbito da Corregedoria-Geral do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que também tramita sob sigilo.

Em outubro de 2018, o procurador-geral de Justiça em exercício, Ricardo Ribeiro Martins, denunciou quatro envolvidos em esquema comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral, entre eles o ex-procurador-geral de Justiça Clúdio Lopes. Além de Cabral e Lopes, foram denunciados Wilson Carlos, então secretário de Governo, e Sérgio de Castro Oliveira, conhecido como Serjão.

Os quatro foram denunciados por formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa e quebra de sigilo funcional, crimes cometidos entre o final de 2008 e dezembro de 2012. O processo encontra-se sob sigilo. Cláudio Lopes é acusado de recebimento de mesada do grupo do ex-governador Sérgio Cabral, enquanto ocupava o cargo entre 2009 e 2012. As acusações foram feitas em delação de Carlos Miranda, um dos principais operadores do esquema de propinas de Cabral.

Borges também esteve envolvido em pagamentos suspeitos à Adriana Ancelmo. Em 2017, empresário Carlos Jardim Borges, dono do complexo Portobello, afirmou em interrogatório na 7.ª Vara Federal Criminal do Rio que contratou a pedido do ex-governador do Rio Sérgio Cabral o escritório da mulher dele, Adriana Ancelmo, e que teria pagado cerca de R$ 2 milhões pelos serviços. Borges é investigado por ter feitos pagamentos suspeitos a empresas investigadas na Operação Calicute, como a Ancelmo Advogados.

“Contratei o escritório da Adriana a pedido de Cabral, que me falou à época que ela tinha um escritório com 40 advogados. Ele disse que eu deveria dar uma oportunidade a ela”, afirmou o dono do empreendimento onde Cabral tem uma casa de veraneio, em Mangaratiba, no Rio.

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