28/05/2020 22:29

Bolsonaro deve apoiar candidatura de Otoni de Paula à Prefeitura do Rio

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Embora publicamente diga manter distância da disputa deste ano pela prefeitura do Rio, Jair Bolsonaro vem tratando do assunto nos bastidores, informa Igor Gadelha na revista Crusoé. Ele discutiu o tema em pelo menos duas reuniões com o deputado federal Otoni de Paula, do PSC. Segundo aliados de Otoni, o presidente sinalizou apoio à pré-candidatura do deputado, desde que não seja pela sigla de seu desafeto Wilson Witzel.

A idéia em discussão é que Bolsonaro indique uma parlamentar mulher para ser candidata a vice na chapa do deputado. De acordo com os aliados de Otoni, uma candidatura competitiva com o aval de Bolsonaro seria extremamente importante para evitar a polarização entre um nome apoiado pelo governador Witzel e o candidato da esquerda, provavelmente o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Se isto acontecesse, Bolsonaro perderia protagonismo em sua principal base eleitoral, o Rio de Janeiro.

Nestes encontros, o presidente teria afirmado que o deputado Hélio Lopes, ao contrário do fora divulgado pela imprensa, não será candidato neste pleito.

Otoni de Paula é pastor evangélico, filiado ao Partido Social Cristão. Em 2018, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 120 498 votos. Já havia sido também vereador na cidade do Rio de Janeiro.

Na Câmara do Rio, Otoni de Paula ficou conhecido nacionalmente por ter protagonizado gestos homofóbicos em provocação ao colega David Miranda (PSOL), marido do jornalista Glenn Greenwald, editor do site Intercept. A cena grotesca aconteceu na sessão em que a maioria do vereadores rejeitou a abertura da investigação contra o prefeito por estar supostamente usando a maquina da prefeitura para favorecer aliados evangélicos. No mesma sessão, Otoni mandou uma "banana" aos manifestantes que protestavam contra o arquivamento do pedido de impeachment.

A despeito do apoio naquele momento delicado, Otoni parece agora disposto a enfrentar seu ex-líder político nas urnas.

Em julho de 2018, três meses antes das eleições, publicou um vídeo convidando fiéis de sua igreja para comparecerem ao lançamento de sua pré-candidatura e passou a ser investigado pelo Tribunal Regional Eleitoral. No vídeo, o pastor e candidato agradece a disposição de "alguns irmãos em alugar um ônibus" para levar fiéis ao evento. Na sequência do vídeo, Otoni pede "palmas para Jesus" e diz que "vivemos um momento de guerra por conta do golpe do impeachment contra o prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

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