16/02/2019 16:10

MP Federal manda para Ministério Público do Rio relatório do Coaf sobre Flávio Bolsonaro

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O Ministério Público Federal ( MPF ) remeteu nesta segunda-feira ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ( MP-RJ ) u ma cópia do relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentações suspeitas de funcionários da Assembleia Legistiva do Rio de Janeiro ( Alerj ). O relatório cita uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão, no intervalo de um ano, na conta de um ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), eleito senador.

De acordo com o documento citado pelo jornal, as transações foram informadas ao Coaf porque são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” de Fabrício José Carlos de Queiroz, que foi assessor do gabinete de Flávio Bolsonaro até outubro deste ano, com salário de R$ 8.517. Uma das transações listadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é o filho mais velho do presidente eleito.

O relatório tinha sido encaminhado pelo Coaf ao MPF e serviu de base para as investigações envolvendo deputados estaduais investigados na Operação Furna da Onça. Como o documento indicava a existência de movimentações atípicas de outras pessoas que não eram alvos da operação, o MPF na 2ª Região (RJ/ES), diante da ausência de indícios que justificassem alguma apuração em âmbito federal relacionados a tais nomes, decidiu enviar o material ao MP-RJ, para que o órgão apure eventuais ilícitos de competência estadual cometidos na Alerj.

Em nota, o MPF informou que o relatório do Coaf faz parte da investigação, mas não citou o nome de nenhum funcionário da Alerj que faça parte da lista. O relatório, segundo o jornal, também cita movimentações de dinheiro em espécie. No período de um ano analisado (janeiro de 2016 a janeiro de 2017), o Coaf identificou R$ 320 mil em saques feitos por Fabrício José Carlos de Queiroz, dos quais R$ 159 mil foram sacados numa agência dentro do prédio da Alerj.
Ao todo, o Coaf rastreou R$ 200 milhões em transações financeiras envolvendo 22 funcionários da Alerj. A análise foi feita a pedido dos procuradores que investigam o esquema de corrupção envolvendo deputados e servidores da Assembleia. No início de novembro, sete deputados estaduais foram presos sob suspeita de receberem propina de receberem propina de empresários de ônibus para votarem a favor de temas de interesse do setor e integrarem a base do governo de Sérgio Cabral. Outros três parlamentares que já estavam presos foram alvos de novos mandados de prisão.

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