16/02/2019 15:38

Vereadores de Angra se revoltam com viagem de Jordão a Israel

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Oficialmente, o prefeito foi conhecer usinas de dessalinização da água do mar. Nas redes sociais, a justificativa era diferente: ver de perto equipamentos, especialmente drones, para combater o crime organizado. O conflito de informações deflagrou uma crise na Câmara Municipal de Angra dos Reis, após a viagem a Israel do prefeito Fernando Jordão na comitiva do governador eleito Wilson Witzel.


Antes mesmo de se juntar ao governador eleito no Oriente Médio, as frequentes viagens de Jordão ao exterior já eram motivo de polêmica.

— A Câmara Municipal aprovou por unanimidade, há 20 dias, o envio de requerimentos de informação à Polícia Federal para saber por quantos dias o prefeito deixou a cidade em outras viagens que ele já fez. Ele não pode se ausentar por mais de 15 de dias sob pena de ferir a Lei Orgânica do Município e perder o cargo — explicou o presidente da Câmara, José Augusto (MDB).

Por telefone, Jordão disse a Paulo Cappelli de O GLOBO que custeou a viagem do próprio bolso.

— Cada um (da comitiva) paga a sua. Eu pago do meu bolso. Ontem (quinta-feira), fomos na Aeronáutica conhecer algumas coisas. Vimos uma smart city, tecnologias avançadas — justificou.

Ao jornal Maré, de Angra, o prefeito disse que Witzel dará prioridade ao município no combate à criminalidade:
“Conhecemos o centro de operações de segurança pública de Israel, que é fantástico. O novo governador pretende implantar métodos usados aqui no Oriente Médio e já reafirmou a prioridade zero que Angra terá em relação à segurança pública. Continuamos aqui conhecendo o que já foi implantado em Israel e os novos projetos que estão sendo desenvolvidos. A população clama por segurança, e estamos estudando como podemos combater ainda mais a criminalidade, que não assola somente Angra, mas todo o estado”, disse.

Nesta quinta, a comitiva esteve na Israel Aerospace Industries Ltda., fundada em 1953 com a finalidade de construir aviões. Atualmente, projeta e fabrica sistemas aeroespaciais e de defesa militares e comerciais em todo o mundo. O foco do grupo era conhecer modelos de veículos aéreos não tripulados fabricados pela empresa, entre eles, drones capazes de carregar armas e câmeras com tecnologia para reconhecer suspeitos de crimes.

A ideia do governador eleito é adquirir um modelo de drone equipado com uma arma capaz de atirar enquanto sobrevoa uma região. O equipamento poderá ser utilizado em operações de segurança no Rio. Ele já manifestou sua intenção de liberar o “abate” de criminosos que estejam portando armas, especialmente fuzis . Witzel quer, ainda, obter informações sobre um equipamento de leitura facial que pode ser instalado nos transportes públicos do estado. O aparelho poderia reconhecer criminosos.

Uma foto divulgada pela prefeitura de Angra mostra o governador eleito no hall de entrada do hotel onde está hospedado em Tel Aviv, rodeado pela sua comitiva. São 12 pessoas, contando com o prefeito Fernando Jordão.


Em Israel, a comitiva visitou também uma usina de dessalinização de água do mar para consumo humano. Entre os mais entusiasmados estava o prefeito de Angra dos Reis, único prefeito a ser convidado para a viagem a Israel. Jordão e sua equipe na prefeitura estudam a melhor forma de resolver o problema da falta de água na cidade da Costa Verde, que costuma incomodar mais da metade da população de 200 mil habitantes durante o período de seca, que vai de julho a novembro.

O projeto de dessalinização em Angra ainda está em estudo. Segundo o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto daquele município, porém, não há tempo a perder nem outra solução viável para acabar com a falta de água na cidade.

— Angra dos Reis tem 200 mil habitantes em 63 bairros. Cerca de cem mil pessoas moram nos bairros de Japuíba, Belém, Nova Angra, Areal, Sapinhatuba, no Centro de Angra e nos morros da parte central da cidade. Essa região é abastecida pela água que chega à barragem de Banqueta, que fica praticamente seca no período de estiagem. A necessidade de a população costeira dessalinizar a água do mar para consumo é uma realidade. Hoje, o Ministério do Meio Ambiente está entendendo que num futuro próximo a população costeira vai precisar. A água está escasseando. É muito desmatamento — comentou Paulo Cezar de Souza, estimando um prazo de quatro anos para o início da licitação para a construção de uma usina naquele município, que será instalada em Japuíba através de uma parceria público privada (PPP).

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