24/04/2019 10:47

POLÊMICA: GENERAL CRITICA PLANO DE WITZEL DE ACABAR COM SECRETARIA DE SEGURANÇA

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Secretário de Segurança desde o início da intervenção federal no Rio, o general Richard Nunes disse nesta quarta-feira (21), em entrevista à GloboNews, que é contra a extinção da Secretaria de Segurança (Seseg). A medida já foi anunciada pelo governador eleito, Wilson Witzel, que criou as secretarias de polícias Civil e Militar, forças que atualmente são subordinadas à Seseg.
"Eu não faria, tanto que nós assumimos, e nosso papel foi fortalecer as instituições. No nosso entendimento, a palavra de ordem é integração. Isso não é no Rio de Janeiro, isso é em qualquer lugar. As Forças Armadas têm adotado recentemente uma doutrina de operações interagências porque nós não nos entendemos mais agindo de maneira singular", disse Nunes, que foi responsável por unificar as inteligências das duas polícias.
Nunes também afirmou que entende que não é necessário continuar com a intervenção federal na segurança do Rio, e fez um balanço da atuação nos 10 meses desde que o decreto passou a valer.
No dia 1º de janeiro, o Governo do Rio reassumirá o comando da segurança pública do estado,que ficou a cargo do interventor, o general Braga Netto, que nomeou Richard Nunes para a secretaria.
"Nós encontramos instituições que estavam combalidas. No meu caso, falando especificamente, tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar estavam em um péssimo momento, em termos de estrutura, de motivação, falta de equipamento, falta de tudo, falta de tudo. Então, nós fizemos um grande esforço para mostrar a essas instituições que valia a pena confiar no trabalho e encerrarmos juntos nisso. Recuperando a regularidade de ingresso dos recursos de toda ordem que uma instituição permanente precisa. Recursos humanos, recuros materiasi, recursos financeiros."

Para o general, a crise do estado, em recuperação fiscal, e até as eleições atrapalharam a atuação da intervenção na segurança pública.

"O que a gente poderia ter feito ou deixou de fazer nem sempre foi por conta da conjuntura, mas sim por questões até mesmo estruturais. então, nõs temos um déficit de pessoal enorme que não dá para se resolver em meses. Nós temos problemas de natureza contratual aí, um passivo, dívidas que nós tivemos que tentar saldar. Ou seja, houve uma série de restrições estruturais, por ser uma intervenção decretada somente na área de segurança pública ela já é limitada na sua origem. Uma intervenção federal parcial, na área de segurança pública; num estado que já estava sob intervenção econômica-fiscal, com a recuperação fiscal, e ainda por cima num ano de eleições, para presidente e governador. Ou seja, tudo isso nos restringia enormemente. então, eu diria que há alguns aspectos que nós gostaríamos de ter atuado melhor, mas não foi possível diante desse quadro. "

Richard também comentou as declações de Wilson Witzel sobre "abater" criminosos que estejam armados com fuzil. Para o general, a ação "se justifica em determinados momentos".

"Um criminoso com fuzil é uma ameaça à sociedade (...) O fato de portar um fuzil é uma tremenda ameaça. "

O secretário, no entanto, disse o combate não é o norte das ações policiais durante sua gestão. "Não fizemos desse enfrentamento o ponto focal da nossa atuação. "

Segundo o secretário, milicianos estão envolvidos "com toda certeza" com o mando ou a execução do assassinato da vereadora Marielle Franco.

"Não é um crime de ódio - falei isso logo na primeira entrevista que dei, em março, sobre isso. É um crime que tem a ver com a atuação política, em contrariedade de alguns interesses. E a milícia, com toda certeza, se não estava no mando do crime em si, está na execução", disse Nunes. Questionado se há políticos envolvidos com o caso, o secretário respondeu: "Provavelmente".

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